andei por aqui. deambulando. enlouquecendo – mais
tarde. disfarcei a noite com música. melodias que o ouvido guarda do tempo do
gostar. por mim passaram as ruas. com algumas tive conversas pequenas. disse:
boa noite. sorriram – voltei a falar. disse: bom dia. fugiram. tinham horas
para cumprir. eram loucas pelo rigor de quem lá passava para despir a vida –
construíram. num canto da rua onde. em tempo. havia a campa de um sonho que já
foi esperança. um relógio sem ponteiros. e
traziam mulheres pesadas nelas. mulheres que queriam correr, mas as peles,
flácidas, pesavam-lhes para o chão. também com elas falei. pouco. porque
encontrei mais à frente uma estrela do mar, tão bonita! cabelos cor de vento,
coração d'água. não tinha boca, quis dar-lhe a minha. respondeu com um gesto. um gesto
desenhado num céu. que trazia embrulhado num lenço de mão – dentro. guardava as
últimas lágrimas. aquelas que. um dia. a sua mãe lhe pedira para levar a um
mundo onde fossem capazes de formar um rio. disse que a amava –
madrugada já quase manhã. olha-me como quem olha o mar bravo. o coração
inundado. mãos de fora do corpo, à espera. abraço-a. porque sei que as memórias
que semeio são lugares onde ficar. para sempre. até de manhã falei-lhe do rio
que haveríamos de fazer. no colo desapareceu- me com a primeira luz mais forte.
chorei.
deixei cair as mãos dentro de mim. segurei o coração. a dor era forte. queria
morrer – tem que haver uma forma de voltar a nascer. quero voltar á posição
fetal e voltar a ouvir a voz do meu pai. encostava a boca ao meu ouvido e dizia
que um dia seria uma sereia – dona de todas as estrelas-do-mar
.................................................................................não tirem o vento às gaivotas
23/07/2010
do amor matar - [dueto com margarete]
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