.................................................................................não tirem o vento às gaivotas

23/07/2010

do amor matar - [dueto com margarete]






andei por aqui. deambulando. enlouquecendo – mais tarde. disfarcei a noite com música. melodias que o ouvido guarda do tempo do gostar. por mim passaram as ruas. com algumas tive conversas pequenas. disse: boa noite. sorriram – voltei a falar. disse: bom dia. fugiram. tinham horas para cumprir. eram loucas pelo rigor de quem lá passava para despir a vida – construíram. num canto da rua onde. em tempo. havia a campa de um sonho que já foi esperança. um relógio sem ponteiros. e traziam mulheres pesadas nelas. mulheres que queriam correr, mas as peles, flácidas, pesavam-lhes para o chão. também com elas falei. pouco. porque encontrei mais à frente uma estrela do mar, tão bonita! cabelos cor de vento, coração d'água. não tinha boca, quis dar-lhe a minha. respondeu com um gesto. um gesto desenhado num céu. que trazia embrulhado num lenço de mão – dentro. guardava as últimas lágrimas. aquelas que. um dia. a sua mãe lhe pedira para levar a um mundo onde fossem capazes de formar um rio. disse que a amava – madrugada já quase manhã. olha-me como quem olha o mar bravo. o coração inundado. mãos de fora do corpo, à espera. abraço-a. porque sei que as memórias que semeio são lugares onde ficar. para sempre. até de manhã falei-lhe do rio que haveríamos de fazer. no colo desapareceu- me com a primeira luz mais forte. chorei. deixei cair as mãos dentro de mim. segurei o coração. a dor era forte. queria morrer – tem que haver uma forma de voltar a nascer. quero voltar á posição fetal e voltar a ouvir a voz do meu pai. encostava a boca ao meu ouvido e dizia que um dia seria uma sereia – dona de todas as estrelas-do-mar



Sem comentários:

Enviar um comentário