.................................................................................não tirem o vento às gaivotas

30/01/2014

ladainha para afugentar o mau olhado



                                                             a. j. s. azevedo
   

não posso mentir. estou proibido pelo meu passado – lido mal com injustiças. mas duvido que seja diferente da maioria das pessoas. injustiça é injustiça. e não tem tamanho para um homem de bem – se eu tivesse uma macieira no meu quintal. era fácil. dois coices fortes. e as maçãs podres no chão pela força da razão – ali ficariam. a entrar em decomposição na lama. no inferno do tempo. à boca dos infiéis da terra – o pecado nunca apodrece. precisa de ser devorado – da minha janela. retirado da arrelia. peço aos santos e demónios piedade – olhos no céu. acrescento dedos ao rosário. em contas que nunca dão certo na prova dos nove – um terço pelas vítimas do mau olhado. amém – um terço pelos desafortunados. deficientes e desbocados. amém – um terço pelas vítimas da ejaculação precoce. amém – um terço pelas doenças da próstata.  amém – um terço pelas mulheres da má vida. amém e. por fim. um terço por mim. que não gosto de me sentir assim. amém – mão no bolso. boca em forma de assobio. e o coração a dar o tic-tac. numa angústia de quem espera por um novo dia – o sol vai nascer novamente – e vocês. acreditam no mau olhado?

- volto já -

estou a pendurar no corpo uns amuletos contra o mau olhado. uma pitada de sal pelos cantos da casa e. a partir de hoje. as cuecas serão viradas do avesso 



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