não
posso mentir. estou proibido pelo meu passado – lido mal com injustiças. mas duvido
que seja diferente da maioria das pessoas. injustiça é injustiça. e não tem
tamanho para um homem de bem – se eu tivesse uma macieira no meu quintal. era
fácil. dois coices fortes. e as maçãs podres no chão pela força da razão – ali
ficariam. a entrar em decomposição na lama. no inferno do tempo. à boca dos
infiéis da terra – o pecado nunca apodrece. precisa de ser devorado – da minha
janela. retirado da arrelia. peço aos santos e demónios piedade – olhos no céu.
acrescento dedos ao rosário. em contas que nunca dão certo na prova dos nove – um
terço pelas vítimas do mau olhado. amém – um terço pelos desafortunados.
deficientes e desbocados. amém – um terço pelas vítimas da ejaculação precoce. amém
– um terço pelas doenças da próstata. amém
– um terço pelas mulheres da má vida. amém e. por fim. um terço por mim. que
não gosto de me sentir assim. amém – mão no bolso. boca em forma de assobio. e
o coração a dar o tic-tac. numa angústia de quem espera por um novo dia – o sol
vai nascer novamente – e vocês. acreditam no mau olhado?
- volto já -
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