.................................................................................não tirem o vento às gaivotas

29/03/2014

a minha metrópole



tamara de lempicka
 


a minha cidade não é nova iorque. nem tóquio. nem londres. a minha cidade é do tamanho do meu país. pequenina e encravada entre serras tímidas – para os metrossexuais das grandes cidades do mundo. a minha cidade não passa de uma rua gigante –  raramente se vê no meu burgo um desses homens modernos repletos de autoestima – para este homem belo e seguro. o bem-estar do corpo e da mente são fundamentais para uma vida longa e saudável – cremes. perfumes. depilações. barba bem-feita. cabelo tratado e. finalmente. a excelência da roupa assente num corpo também ele forçado à elegância – o ginásio é a sua segunda casa e os alteres erguidos com esforço exibem o peso da vaidade – para trás ficou definitivamente a ideia dos nossos pais de que homem que é homem cheira a cavalo –  enfim. hoje o homem rivaliza com as mulheres na estética. nos cabelos. na maquilhagem. na pele. nos perfumes. no bem-estar e na saúde – há um novo universo masculino  – este novo modelo de homem urbano parte à conquista do mundo. sem medo. nem vergonha das transformações – leva com ele uma nova mensagem masculina: criatura moderna. cavalheiro. delicado. simpático. exigente. urbano e consciente de que o seu lado feminino é agora uma conquista definitiva do homem contemporâneo – sempre preocupado com a projeção da imagem. parte para o galanteio das miúdas. seguríssimo da sua sexualidade – se nascesse hoje. seria muito mais do que metro. mas como nasci há muito tempo. sou apenas centímetros bem medidos – como diria a minha mãe quando na mercearia pedia: dois quilos de maçãs bem medidos 



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