.................................................................................não tirem o vento às gaivotas

29/06/2014

palavras do poeta




paulo themudo*
 
 



tenho dias que sem saber escrever.
arranjo um sonho para poder contar.
dias que nada sou sem a utopia.
daqueles que me impelem a escrever.
são os mestres. os poetas.
donos na proficiência de domar letras;
como seria se apenas eu escrevesse?
seriam letras sozinhas. chorosas.
moribundas do desgosto.
despidas de emoção da pureza das ideias.
letras privadas do contraste das cores
e o amarelo. seria verde?
o florir dos campos
seriam searas
ceifadas em campos vazios de saber
onde os pássaros voariam
apenas baixinho…
e o poeta?
poderia ele morrer?
sozinho. entre palavras que nunca atracaram.
palavras azedas. onde o pólen
nunca voará.
palavra que é palavra 
veste-se para ser ouvida.
acarinhada. açoitada
maltratada. amada.
riscada. desenhada.
ou apenas um aceno
no coração de quem precisa
palavra honrada será sempre de todos.
desde que traga com ela
o orgulho de camões
a nós compete-nos apenas
mantê-las virtuosas e belas

 

 
paulo themudo* - tenho o prazer de conhecer pessoalmente da minha cidade e aconselho vivamente a visitar a sua obra





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