.................................................................................não tirem o vento às gaivotas

02/07/2013

não renascerei




lucian freud






se eu quisesse falar com deus tenho a certeza que o todo poderoso me mandava à merda – de mau. desiludido e com cara de quem já não procura amigos também digo: não quero falar contigo – prefiro recordar-te como te vi no livro da catequese – nesse tempo fazias milagres





01/07/2013

maçã




sokram





o silêncio também cai de maduro



não há ressurreição




ron mueck




se eu quisesse falar com deus tenho a certeza que o todo poderoso me mandava à merda – de mau. desiludido e com cara de quem já não procura amigos também digo: não quero falar contigo – prefiro recordar-te como te vi no livro da catequese – nesse tempo fazias milagres



30/06/2013

kali




vladimir kush




nunca compreendi pessoa – como é possível ser tanto num corpo só - estou a meio de  um fim-de-semana num corpo desmanchado por processos que não reconheço – sou um eu agora e logo não sou – um corpo meio morto de desgosto. respiro – outro meio corpo vive para ver a outra parte morrer. respiro –  a festa vai ser de arromba num funeral de cortar a respiração



17/06/2013

embuste




caravaggio - o beijo de judas




imensamente tranquilo – o tempo é realmente a única cura contra a dor da desilusão – é o que faço neste momento. aguardo – aguardo com a verdade de um coração que nunca se deixou manipular – aguardo com tudo o que sempre tive – nós aguardamos – aguardamos todos neste lugar com janelas a que chamo lar – lá fora. do outro lado deste lugar que nos cobre com dignidade. corre a mentira – não se engana o mundo sábio. alguns tolos talvez – corre descalço o embuste. carrega em fardo pesado uma vida de fraude – pobre e coitada. só como sempre. inverte o mundo para ficar de pé – estamos aqui todos. todos como se fôssemos um só tempo – como sempre e para sempre. aguardamos imensamente tranquilos - nós


13/06/2013

elegia na morte da manipulação




federico castellon




estou finalmente numa paz feita de algodão doce – a última vez que senti esta paz aconchegadora  foi  no dia em que enterrei o meu pai – a doença foi cruel e o sofrimento muito. para todos – estar em paz é voltar a viver  em harmonia com as leis naturais da vida. doce – lar doce lar  



10/06/2013

todos




fernando botero





nada melhor do que um dia de chuva para compreender que aqui por casa continuamos todos



08/06/2013

de pernas para o ar




 edvard munch




"Ingratidão é uma forma de fraqueza. Jamais conheci homem de valor que fosse ingrato."




johann goethe




18/05/2013

a definição do amor





jorge reis-sá

 

um poema do poeta e editor jorge reis-sá




dantes escrevia poemas de amor. para viver com o amor
nos poemas, sempre. depois disseram-me que já toda a
gente o fez, que nada mais havia a escrever sobre o amor.
que o amor já estava em demasiados poemas. eu aceitei
o conselho e passei a escrever poemas de morte. escrevi
muitos poemas sobre o meu pai, até ao dia em que percebi
que a morte é sinónimo de amor, como tudo é sinónimo
do amor. e voltei a escrever o que nada havia a
dizer. porque até o poema é sinónimo de amor.







também eu escrevia
escrevo

pai:
fazes-me tanta falta

tenho saudades
desse teu jeito
de dar cor
ao preto e branco









05/05/2013

1ª de maio – o povo já não ordena





1º de maio de 1974
[foto google - autor desconhecido]




foram-se os chapéus e a nação assobiou – foi-se o ardina e a nação assobiou – foi-se o alfaiate e a nação assobiou – foi-se o leiteiro e a nação assobiou – foi-se o aduaneiro e a nação assobiou – fecharam-se os guarda-chuvas e a nação assobiou mais forte – há um novo iluminismo na europa e as nações gritam de braço no ar: o povo é quem mais ordena. a luz quando nasce é para todos – e o povo em manifestação a dizer: assim se vê a força da ingenuidade – quem não gosta de sol? quem não quer andorinhas nos beirais? e o povo sempre a assobiar em postura de orquestra e o ritmo a sair como marcha militar – os pés batem certos. comem caminho. e as mãos andam para trás e para a frente. fazem desenhos geométricos com ângulos de 180 graus – tudo é reto. tudo está de pernas para o ar na exploração do homem pelo homem – não tardou partiram os merceeiros e os assobios a chegar escoltados pelo ruído dos carrinhos de metal – agora tudo gira sem parar noite e dia – e a europa a uma só voz: somos mais fortes juntos. e a livre circulação a trazer o supérfluo. e o povo a gritar: somos euro e vamos para onde quisermos com o cartão de cidadão e a soberania a ruir e as vozes do além a dizer: também sodoma e gomorra foram destruídas [gênesis 19] – foi-se o escudo e o dinheiro circula à velocidade de um tgv pela mão de gente que não sabe cantar o fado – tudo é embrulho. e o que é nosso é deles e o que é deles nunca será nosso – é a lei do mais forte a escrever torto por linha tortas e a nação lusitana saqueada das leis tomadas pelo nosso primeiro afonso – foram-se as fronteiras. as doutrinas. a nação e a iniciativa de quem com coragem dobrou o cabo da boa esperança – e os mastros com a cruz de cristo regateiam ao vento força para lutar contra os adamastores. e todos remam para o mesmo lado. e o contra–mestre a gritar: terra à vista – somos lusos. somos gente do sul. somos gente de sol e as gaivotas pasmas por verem gente a falar a língua de camões – e os mastros com quinas a dizer: somos nós sim. somos gente destemida. gente de fé. de abraço e é sempre bem vindo quem vier por bem – e a dinastia de aviz. e o d. nuno. e a padeira de aljubarrota. e o d. joão. e o d. henrique. e o vasco da gama . e o cabral. e o colombo. e o fontes pereira de melo. e o pombal. e a amália. e tu. e eu. e nós a pensar se tudo isto valeu a pena – e os abutres a chegar com trabalho que não é para durar. e o camponês passa a capataz. trabalha o alcatrão – e a varina passa a técnica de limpeza. limpa a bosta das multinacionais – e o pastor passa a comercial. vende lã da china – e a profissão de futuro é um balcão com gente a vender crédito até ao fim da vida – e os montes a arder de abandono. e as marés sem o levar e trazer de barcos. e os campos vazios de tudo e tudo a andar para trás. e os doutores a dizer: é para a frente que se faz caminho – e tudo é afinal precipício – e o tempo a sorrir para muitos e os assobios a romper barulho para o lado de poucos – e festa é festa. e o povo dividido por grupos canta ao desafio: eu estou bem com o mal de alguém – e os dias amenos disfarçam a tempestade nascida a oriente – e tu ris. e ele ri. nós rimos e o choro de alguns abafado pela gargalhada coletiva de tantos e os ditados populares esquecidos. “quando vires as barbas do teu vizinho a arder. põe as tuas de molho” – e o povo-nação sempre a assobiar. e as primaveras sempre a nascer mais cedo. e o degelo aumentou 120 vezes e os rios galgaram as margens da sensatez e tudo está louco e fácil – e as mãos esfregam-se de ganância e o frio sem estação do ano certa e o povo-carnaval a dançar sobre o mal dos outros. e o parlamento-pinóquio diz que é esta a casa do povo de quem mais ordena – o abril murchou e o zeca volta a cantar a grândola na boca dos esfomeados de pão. de emprego. de habitação. de dignidade. de honra. de gente que é a minha gente. carne da minha carne. o meu povo – e o mal agora é de muitos e o bem de poucos. e paga a saúde. e paga a escola. e paga a justiça. e paga a estrada. e paga o imposto. e paga o que não tem e povo a ferver. e o passo já não é certo e o ouvido a escutar o rufar dos canhões e grita: o povo já não está contigo – e a confiança é choro. e as andorinhas são abutres. e o povo triste grita: contra os canhões marchar. marchar – estamos fartos de tanta mentira. estamos fartos de engenheiros. de doutores. de deputados. de políticos. de banqueiros. estamos fartos de gente que fala por falar – o sol a torrar e a pele a tostar. e o fator 6 passou a 66 e depois a 666 e o número da burra estampado na teste de cada zé enganado – e o mal de poucos passou a cem e a razão já não é de ninguém – e tudo o vento levou com polícias a correr de um lado para o outro sem saber onde está o ladrão – e o povo ergue as mãos no ar e grita: “só há liberdade a sério quando houver a paz. o pão. habitação. saúde. educação”. e as mãos cada vez mais no ar. mãos que abanam como abanadores – e a revolta é agora uma palavra de ordem: “assim se vê a força de um povo” enganado – e a nação mais antiga da europa pronta a explodir com novecentos anos de unidade e nós enganados. roubados. e os filhos enganados. roubados. e os netos vão pagar. e os bisnetos vão pagar. e os trinetos vão pagar – o culpado sou eu



30/04/2013

ai de abril que chegou o maio




sam jinks




– ai. ai de terror. de pânico. de medo. ai de cerrar os olhos e fingir que não vejo o que vejo

– ai. ai de bandido. de leproso. de excluído. de rejeitado. ai de saber hoje o que não sabia ontem

– ai. ai de desânimo. de desistência. de desemprego. de fome. ai de não compreender o que me sai da boca para  fora

– ai. ai. ai… que é feito da minha fé. ai. ai… era do tamanho do dedo indicador

– ai. ai de silêncio. de descanso. de paragem. de pausa. de intervalo. ai de quem era e não volta a ser

– ai. ai de esgotado. de cansado. de louco. de raiva. ai de um sinal que é cruz

– ai. ai de adeus. de saudade. de suicídio. de covarde. de perdão. ai de quem parte para nunca mais voltar

– ai. ai cada palavra uma orelha. uma opinião. uma sentença. uma prisão. um morcego e nunca sei onde chego

– ai. ai. ai… que é feito da minha fé. ai. ai… era do tamanho do dedo indicador

– ai. ai de solidão. de aperto. de miséria. de desgraça. ai da culpa que nunca morre solteira quando há uma aparadeira

– ai. ai de todos os ais. de grito. de corda. de veneno. de guilhotina e corta. e corta. e corta e toda a seara morta

– ai. ai. de balança. de justiça. de causa. de equidade. ai de espada que mutila a razão do pensamento

– ai. ai. de religião. de terço. de salvação. ai de um deus surdo que não escuta a oração

– ai. ai. ai… que é feito da minha fé. ai. ai… era do tamanho do dedo indicador

– ai. ai de ânsia. de agonia. de pandemia. ai de aflição. ai de quem já não acredita na multiplicação do pão

– ai. ai de morte. de morte sem salvação… ai. um corpo sem fé é um corpo sem medo da morte





tributo a mário viegas – cantigas dos ais de armindo mendes de carvalho




26/04/2013

o grito - declamado pela voz da minha vida













ainda há tanto para te dizer. muito mais do que duas palavras. muito mais do que gosto de ti - gosto de estar no teu mundo


25/04/2013

abril. há amigos à tua espera nesta esquina do teu povo




frida kahlo




estamos a fechar o ventre da esperança – ouvem-se gritos inocentes e o céu embrulhado numa bola de fogo cega – há morte de gente boa. há jardins a secar. há medo. há mulheres com medo. há homens com medo. há povo com medo. o meu povo está com medo dos vampiros – o mundo não fica prenhe. não há primaveras. não há flores a nascer. não há cravos brancos – renasce zeca. renasce com voz. há amigos à tua espera nesta esquina do teu povo

23/04/2013

a morte das flores




keukenhof - holanda
foto do autor




equidade - como se previa. depois da morte dos cravos. das magnólias. das estrelícias. das margaridas e dos malmequeres a morte chegou à banca das floristas – e o mundo a mirrar




22/04/2013

daniel faria / ando um pouco acima do chão




daniel faria





Ando um pouco acima do chão
Nesse lugar onde costumam ser atingidos
Os pássaros
Um pouco acima dos pássaros
No lugar onde costumam inclinar-se
Para o voo

Tenho medo do peso morto
Porque é um ninho desfeito

Estou ligeiramente acima do que morre
Nessa encosta onde a palavra é como pão
Um pouco na palma da mão que divide
E não separo como o silêncio em meio do que escrevo

Ando ligeiro acima do que digo
E verto o sangue para dentro das palavras
Ando um pouco acima da transfusão do poema


Ando humildemente nos arredores do verbo
Passageiro num degrau invisível sobre a terra
Nesse lugar das árvores com fruto e das árvores
No meio dos incêndios
Estou um pouco no interior do que arde
Apagando-me devagar e tendo sede
Porque ando acima da força a saciar quem vive
E esmago o coração para o que desce sobre mim
E bebe



19/04/2013

sol




francisca bayardo




vamos todos rezar um credo a esta alma - o inverno está morto - tenho esperança. tenho sempre esperança no que chega de novo






18/04/2013

bastou um abril... para encher o cantil de sede




vânia lopez


o abandono do céu no dobrar de uma gaivota, é música, para de joelhos rezar o silencio. nunca houve tanto silencio semeado com os dedos das mãos juntas. a hora se faz mais bonita nos momentos que testam a alma, sequestram os olhos no último limite da emoção, uma lamparina estremece. e de repente a gaivota some em queda livre, a música corre solta pelos jardins enluarando meu interior. nas pinceladas, o impacto. e a gente... até esquece-se de morrer.



para um amigo


respondi:

ouço – bach. ave maria – e pergunto ao destino se o tempo é igual para todos - não sei. sei tão pouco de mim. sei tão pouco - abril. abril. abril. cinquenta e um e só me lembro dos invernos e desta dor que carrego nas mãos de não saber escrever o que sinto - sinto - sinto tanta coisa por dentro da carne e não sei se é meu por amor ou doença de maldade - restam-me as gaivotas e o vento

obrigado vânia. obrigado por estares sempre aqui



16/04/2013

abril. doente




james ensor




depois de uma análise cuidada aos exames radiológicos o médico. com um ar sério e inquieto. informou-me: -- essa falta de ar que lhe está a tirar o prazer de viver é provocada por um linfoma-troikiano. afeta não só o seu sistema imunológico mas também aqueles que partilham de perto a sua companhia – esta nova doença. ainda sem tratamento. é também conhecida por necrose aguda capitalista – Infelizmente. as notícias não são boas para si. a doença está descontrolada e ramificações espalharam-se pelo corpo. danificando gravemente o funcionamento normal dos principais órgãos da república – a solução. na minha opinião. é estripá-lo integralmente – queira o estimado doente saber que esta intervenção cirúrgica é bastante melindrosa e perigosa – bem sei que não será a cura total. mas aliviará em grande parte esse mal estar generalizado. aumentando consideravelmente a sua qualidade de vida – mas mais do que isso. acredito piamente que com esta abordagem universalizada. mais cedo ou mais tarde. conseguiremos encontrar a solução definitiva para esta maldade. erradicaremos para sempre esta monstruosidade da superfície da terra – não ficaria de bem comigo se não o alertasse com autenticidade para a possibilidade existirem sérios riscos de recidivas complicadas – há imensos imponderáveis neste tipo de intervenção. não é ainda possível avaliar todos. o risco de uma septicémia generalizada é bem real – infelizmente a ciência dos homens bons  ainda não encontrou solução para derrotar de vez banqueiros. políticos ao serviço do capital selvagem. administradores de grandes empresas. multinacionais sem escrúpulos entre outros – é verdade que o cancro do homem ganancioso ainda ganha terreno. no entanto. acredito que está para breve a revolução que fará nascer um novo mundo. o mundo dos homens justos – até à vitória final



12/04/2013

sinto. abril




lucian freud


 
o céu caiu no mar – sinto – o vento veste agora uma “fininha melancolia” que não sei descrever – talvez este vento estranho traga dentro de si a partida dos dias pequenos. dos corpos cansados da luz tímida. dos agasalhos. ou quem sabe um anjo arrependido por ter entregue a alma ao diabo – não sei. não sei mesmo nada. agora só sei o que vejo com estes olhos escancarados à espera do que der e vier – vejo a boca acorrentada a um naco de pão. o corpo a tombar incerteza e uma deusa inútil com mil mãos. mora num mundo que não conheço. não sei se as usa para dar trabalho ou roubar a pouca fé capaz de ainda de me segurar a carne aos ossos – não há céu. não há estrelas. não há nuvens. não há nada que faça acreditar os homens neste tempo maldito. no seu lugar um vazio-nada que as mãos não sabem escrever. nada de nada – sinto – há um novo tempo. um novo escuro-tempo dentro de um corpo velho – sem céu não há noite. e sem noite não há estrelas. os fantasmas são agora de carne em putrefação – bate o relógio. bate tempo. bate sem parar. bate caminho. desequilibrado. desengonçado. desgovernado. um dia atrasa. outro adianta. e a corda presa a um peso de ferro envelhecido pelo bater sem parar – bate. bate. bate por bater. bate para não estar parado – marcha o tempo em guerra contra soldados de papel. e os dedos apontam palavras amarguradas para gente que não sabe o que é partilhar – e os homens bons morrem maus. e os filhos renegam o pai. e o cão sem dono. e os deuses sem leis naturais e o que era verde esperança é agora terra queimada – não haverá sobreviventes o tempo está a mudar e ao vento norte não resistirá – para trás nada. nada. só memórias sem valor para a história – há tanto silêncio no tempo que fica para trás – sinto – os olhos cerrados. as mãos esmagadas. os ouvidos apertados. o sol a pique e a sombra a rir do futuro. – o tempo-ladrão saqueia para sempre as recordações de um corpo que nunca estimei – já não há dia nem noite. há tempo. vento. apenas tempo-vento num corpo apeado de tudo. vazio – sinto – sempre gostei de sonhar. sonho para criar verdade á vida que escolhi – não sei se sonho muito ou pouco. não sei mesmo. sei que sonho porque acredito que há sempre uma boa razão para viver a vida com sonhos-paixão – sinto – sonho porque necessito de dar sentido à vida que escolhi. sonho para que a linhagem saiba sonhar. sonho porque os meus antepassados também sonharam – sinto – sonho para que os sonhos saibam que existo. sonho para explicar o porquê de ainda estar vivo – não há homem sem sonho. não há céu sem gente que sonhe – sinto – sonhar é fazer caminho. de tanto caminhar fui perdendo os pés. depois perdi as pernas. e agora o tronco arrasta-se pelo chão que levantei – não há homens sem esperança – sinto. sinto as gaivotas no ar. o vento a empurrar o corpo para baixo. e o ar a entrar aos soluços sufoca a vida com coisas cravadas entre a boca e um tempo de esperança – não há vento que me carregue para fora desta coisa maldita que cresceu comigo. sina – entre o tudo e o nada está um mundo que deixei de querer ver – mas sei que há em algures deste mundo um pedaço de terra marcada a cinza da minha carne – sinto