há momentos
em que um homem precisa saber parar – parar de ver pessoas. parar de correr.
parar de lutar contra coisas que não pediram combate. parar de escrever o que
não deixa rasto. de fazer projetos fundados apenas em boa-fé. de esperar que os
filhos cheguem à nossa idade para nos compreenderem – há um ponto exato em que
já não se avança – recolhe-se. agarra-se a honra que sobra. não para a exibir.
mas para não a perder – esta vida feita de corridas é um rosário que passa de
mão em mão. até que um dia percebemos: já não há a quem orar. e não é revolta.
é lucidez – envelhecemos por dentro. e a escuridão deixa de ser ameaça —
torna-se repouso. um silêncio que já não dói. a mão para. amanhece. e em breve
tudo tenta regressar ao que era ontem. mas quem soube parar. já não volta
inteiro ao movimento – agora. trata-se apenas de ficar com o que resta. sem
pressa. sem ruído – isso também é sobreviver
28/10/2014
o momento de parar
fábio magalhães
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