deixo o corpo
entregar-se à corrente de água daquilo que penso – depois. ao chegar ao fim do
percurso. olho para trás. e percebo que tudo o que escrevi foi moldado apenas
pela força da água. as palavras não escolheram caminho. foram arrastadas – e
eu. iludido. acreditei que eram as mais certeiras – desilusão – e é aqui que
começa o desespero – volto atrás. corto. risco. altero. revisito memórias. e
deixo tudo partir de novo pela mesma linha da água – reescrever não é correção.
é combate. e a água. cada vez mais clara. revela o percurso sem piedade –
levanto as mãos aos santos em quem não acredito e pergunto: se gosto de
escrever. porque não foi dado o engenho de traduzir o que sou sem me trair –
revolta – não sou como a mãe que ama sem ver falha. que olha o filho frágil e o
declara belo – tudo o que escrevo fica aquém do texto que imagino – ainda
assim. continuo – não por fé. mas porque parar seria afogar-me fora da água
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