habituei-me a
chamar-te amor
mor para ser
fácil
e dou comigo a
pensar
se não foi um
erro…
gastei a
palavra
os ouvidos deixaram
de ouvir
e até eu
esqueci o seu
valor
quando te chamo
mor
sou um catraio
joelhos rotos
pião no fio
e os berlindes
da tua cor
e agora… sinto-me
não sei… talvez
desesperado
sem palavra
que te sirva
mas preciso de
chamar mor
preciso de me
sentir…
não catraio
mas perto de ti
assim…
meio perdido
de mim
enrodilho as
mãos
a boca foge
e o silêncio
aproxima-se
devagarinho
que tolo
gastei a
palavra
e nem os que
passam em sentido contrário
a escutam
talvez por
serem de outras casas
talvez por
nada saberem
de nós
não viverem
dentro de nós
ocupaste-me
e existo
somos os dois
tão pequeninos
abrigados numa
palavra
que ninguém
sabe dizer
mor
que coisa
ridícula
como se fosse segredo
ou um
papelinho
dobrado em
vergonha
um ventinho
para soprar a
palavra até ti
o incerto é
quase sempre
o caminho
para te
encontrar nos olhos
atar-te a um
cordelinho
e trazer-te
para o que sinto
mor
todos os dias
nascem dentro de ti
e isso
basta-me
para aceitar o
fim
fazes-me feliz
Sem comentários:
Enviar um comentário