encontrámo-nos por aí – depois. ficámos amigos – foi
assim que a isabel e o beto entraram na minha vida – passo a passo fizemos o
nosso caminho. sem nunca precisarmos de saber onde nos levava – a bela
esgueirava-se por dentro de nós numa subtileza feita de sorrisos sem tamanho –
abraçava. e no seu silêncio fazia-nos sentir maiores do que realmente somos –
viajámos. dançámos. rimos. sentámo-nos tantas vezes à mesma mesa – ficaram os
jantares. as conversas. as pequenas coisas que naquele tempo pareciam apenas
vida e que hoje são memória – tínhamos apalavrado mais um jantar. mas
acreditamos sempre que o tempo espera por nós – não espera – desta vez chegou
primeiro – e agora já não posso contar com o teu sorriso à mesa. com o abraço.
com essa forma tão tua de estar sem precisar de ocupar espaço – partiste sem te
despedires de ninguém. tenho a certeza de que contrariada. não eras mulher para
estas pieguices de ir embora – estou triste. embora nem saiba se triste é
palavra suficiente para alguém que ainda tinha tanta vida para viver. tanta
velhice para merecer – ficou o beto. fica o meu amigo beto. e ficamos nós com
ele – no próximo jantar estaremos novamente os quatro. haverá uma cadeira que
ninguém precisará de ocupar. porque tu estarás sentada em tudo aquilo de que
nos lembrarmos – numa gargalhada. numa história repetida. num copo levantado.
naquele instante em que alguém disser o teu nome e todos ficarmos um pouco em
silêncio – quem sabe um dia. num outro lugar que te mereça mais. voltaremos a
encontrar-nos – e então riremos outra vez. falaremos de nós no presente. e
finalmente faremos o jantar que o tempo nos ficou a dever – deixo-te um beijo.
bela. com toda a saudade e todo o carinho – às vezes o tempo é apenas uma
invenção nossa. o que importa mesmo é que um dia dissemos olá. e ficámos amigos
– para sempre
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