robin eley
sou feito de tempo
espero
espero como relógio
às vezes
espero um abraço
ou um beijo
outras vezes
faço da espera
um poema
que desespera
pela espera
num cigarro que não fumo
espero
espero atento
ao balão de brandy
aquecido ao calor da espera
espero pelos pés
cada vez mais parados
pela veia que corre
para um mar
que espera
como adão aguardou
pelo pecado
de eva
bendita maçã
esperou a fecundidade da terra
e eu
e na luxúria
de uma palavra enrolada
num anseio
infernal
espero
que os beijos
caiam
a tempo de matar
a espera
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