27/03/2026

dança do ciúme

 




muitas vezes inventamos o ciúme pelo prazer do encontro dos corpos. sabemos que depois da tensão. ou da pergunta que nunca chegou a ser. surgirá a dança do cortejo – este artifício permite que os galanteios renasçam. e que os corpos se reencontrem – assim faço ciúme como a aranha faz a teia. para atrair o que deseja – o toque surge como primeira carícia. lembrança daquela que inventámos no passado quando nos procurámos – o paladar do primeiro beijo reaparece. e no arrepio do contacto com a epiderme dissolve-se o ciúme – chega o momento em que digo. sou teu – o suor cresce com a fusão dos corpos – a noite é minha. e o ciúme aliado – e da alma frágil emerge a perícia da mulher – também ela usa o ciúme. e faz crescer o desejo – depois os corpos dormem enrolados nas artimanhas do pecado venial. sabendo que noutro dia qualquer o ciúme voltará. apenas para fazer sorrir a noite

 

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