não me venham dizer que afinal nunca estive ali.
estive ali e aqui – estive dentro de um milhão de perguntas que nunca tiveram
resposta. sem uma casa para se abrigarem. sem sol na eira e chuva no nabal. sem
guerra que leve à paz. sem nada – talvez seja culpa minha. talvez esteja louco
e não saiba quem sou. e. não sabendo quem sou. não posso compreender as
palavras. nem o que significam – talvez eu também não saiba o caminho para
casa. talvez viva num manicómio. talvez tenha nascido morto por dentro. talvez tenha
incorporado uma gaivota cinzenta. talvez hoje chova e a água que cai do céu
seja apenas para regar os jardins escondidos sob os guarda-chuvas – cada vez
estou com mais dúvidas. talvez o problema resida nas perguntas que faço. possivelmente
não têm resposta. talvez ainda não tenha crescido o suficiente – as crianças
são sempre puras. mas ingénuas. para cada resposta encontram sempre mais um
porquê – porque deus me fez assim. porque deus não vive na porta ao lado.
porque deus não tem um carro desportivo. anda tão devagar. demora tanto tempo a
chegar. e na maior parte das vezes nem aparece – talvez esteja velhinho. talvez
não tenha carta de condução. talvez esteja cansado de ser deus – vou inventar
um deus. um que ainda ninguém adore. um que esteja pregado numa cruz. um que morra
aos trinta e três anos. um que suba ao reino dos céus e se sente à direita do
pai. um que ressuscite lázaro. um que saiba andar em cima da água. um que saiba
o meu nome. um que viva não na minha porta ao lado. um que viva no limite do
meu mundo. um que seja de carne e osso – talvez. eu seja mesmo louco – talvez
Um que viva ao lado do meu mundo, e tantas são as perguntas, taõ poucas as respostas que nos fazem procurar o caminho... do lado de dentro, será? também bem sei que sou louca.
ResponderEliminarAdorei, parabéns sempre.
beijos.
perguntas que nunca terão respostas.
ResponderEliminarbeijo