também se faz luto em vida – mergulhado em chuva e papéis. projeto o futuro – avalio-me – é essencial escrever o que não consigo explicar. a margem de erro é um desvio na compreensão – quem lê procura conhecimento ou prazer – não sou uma coisa nem outra. sou amargura. desgosto. maçada. tristeza. erro. apenas erro. onde a prova dos nove dá sempre um resto qualquer coisa – transcrevo para o papel uma visão antes de a ver. premonição – só assim poderei dar-me ao respeito. antecipando-me – somo-me então a um resultado incerto. numa balança aferida a olhos visionários [e magoados também] – ninguém pode garantir o incerto. sempre ouvi dizer que o futuro a deus pertence – se eu tivesse um deus. a alma não temeria nem gemeria – o contrapeso é a alma perdoada de todo o erro venial – onde há balança. há peso – todos carregamos um fardo indesejado. mortal – o descanso eterno acontece após a missa de sétimo dia – o peso é agora uma memória presa entre duas datas: aqui descansa [finalmente] sicrano. pecador. nasceu a tantos do tanto de mil novecentos e tantos. e morreu a tantos do tanto de dois mil e tantos – que a sua alma descanse em paz
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parce sepultis – enterrado. perdoado
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