se um
dia todas as noites se tornassem dia. talvez eu me cansasse de escrever como
escrevo. com esta letra escura. negra. feita de desassossego. pendurada numa
luz que se escoa entre palavras moribundas – aqui estou eu numa noite que não é
dia. num dia que nunca deixará de ser noite. e tudo a balançar entre o
divino e o pecado – já não sei rezar à noite. talvez tenha perdido a oração ou
talvez a vida. todos os momentos são agora um precipício – esta noite sou o que
sempre fui. sou saudade que carrego de uma rua que me chama de volta – um dia
voltarei ao mundo revestido de dias sem noites. com luz que nunca se apaga. com
uma lua que nunca dorme. com uma cama que nunca sufoca – um dia serei
louco. farei de cada letra um farol para náufragos do papel à deriva em noites
de negrume – um dia serei eu própria luz. e as noites nunca mais serão longe. o
amor será próximo. e o corpo um pequeno universo – noite escura. negra de
carvão. negra de almas pecadoras. negra como se não fosse uma cor de deus. e eu
um infiel condenado – este negro da noite sufoca-me de solidão. sei que um dia
perderei o que ainda me resta desta pequena luz – se um dia todas as noites se tornassem
dia. eu não aguentaria
.................................................................................não tirem o vento às gaivotas
13/04/2017
se um dia todas as noites
nick keller
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