no fim
da noite
quando
já nada existe para além de nós
e o
teu corpo
repousa
em sonhos que não vejo
sorrateiramente
pergunto
aos olhos que dormem:
ainda
estás apaixonada?
e ali
fico
alimentando
o silêncio
como
se a doçura do teu respirar me fosse oferecida
e
pergunto-me:
o que
sei de ti que o coração não saiba
nada
meu amor
guardei-te
para sempre
no
homem que geraste
e aqui
fico
[preso
à infinitude de ti em mim]
num consolo
calmo e sossegado
a
sentir o mistério do amor
percorrendo-te
como
se fosses o derradeiro pecado
numa
inocência
esmagada
de paixão
e
quando o meu tempo na terra terminar
que
sejam os teus olhos
os
últimos a ver
e as
tuas mãos as últimas a ameigar
porque
tu
serás
sempre o único mundo
onde realmente
existi
[3 de
março de 1980. começámos com um
beijo - passaram trinta e nove anos e o beijo ainda não acabou]
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