.................................................................................não tirem o vento às gaivotas

08/05/2019

para ti






no fim da noite

quando já nada existe para além de nós

e o teu corpo

repousa em sonhos que não vejo

sorrateiramente

pergunto aos olhos que dormem:

ainda estás apaixonada?

 

e ali fico

alimentando o silêncio

como se a doçura do teu respirar me fosse oferecida

e pergunto-me:

o que sei de ti que o coração não saiba

nada meu amor

guardei-te para sempre

no homem que geraste

 

e aqui fico

[preso à infinitude de ti em mim]

num consolo calmo  e sossegado

a sentir o mistério do amor

percorrendo-te

como se fosses o derradeiro pecado

numa inocência

esmagada de paixão

 

e quando o meu tempo na terra terminar

que sejam os teus olhos

os últimos a ver

e as tuas mãos as últimas a ameigar

porque tu

serás sempre o único mundo

onde realmente existi

  


[3 de março de 1980. começámos com um beijo - passaram trinta e nove anos e o beijo ainda não acabou]

 

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