talvez esteja louco. mas às vezes acredito que estou sempre
num lugar onde nunca consigo chegar – se não estou louco. então. sou a vontade
de um deus. ou de um génio. ou de uma peça de um xadrez estranha. ou até quem
sabe. um caminho tortuoso até chegar a um lugar que ainda não sei se existe. ou
sou apenas uma coisa insignificante. sem valor. prostrado no chão da feira da
ladra – se eu soubesse que isto terminaria assim. talvez tivesse amado uma
boneca de porcelana. só para não ter que me envergonhar. para não ter que
encontrar nenhuma palavra que me absolvesse de ter nascido assim. louco – mas
se nasci louco como penso. porque raio continuo a gostar de mim. mesmo quando
procuro chegar ao que nunca alcanço – não sei. se soubesse possivelmente era
dono de uma torre de babel. de um cavalo de corrida. de dezassete gaivotas. e de
uma cama que me aceitasse quando sonho
.................................................................................não tirem o vento às gaivotas
07/10/2019
talvez
pintura - oskar kokoschka
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário