09/06/2026

restavas tu

 



o dia chegou. e eu sou agora uma porta aberta. onde entras e sais sempre que me quiseres visitar – a cadeira está no sítio do costume. a mantinha agasalha o que falta. e o sorriso continua a ocupar o lugar que criaste na nossa casa – a vida acontece. embala o destino. o sino toca ao desespero. a roupa escurece. um terço. uma ave-maria. e o que era tempo transforma-se em saudade – queria tanto que o ontem fosse eterno – restavas tu de tudo o que sou – criaste-me. protegeste-me. amaste-me. seguraste-me nos momentos em que o mundo parecia desabar. nunca me faltaste. nunca me soltaste a mão – ninguém desaparece enquanto houver quem o pense. enquanto uma memória regressar à mesa. enquanto um nome voltar a ser chamado. enquanto um sorriso reencontrar caminho dentro de nós – levar-te-ei comigo para onde o caminho me levar. serás sempre casa. serás sempre família. serás sempre nome. terás a mesma terra do papá e da mamã. e será ali. junto deles. que te darei o último beijo. depois ficarei a ouvir o silêncio. não para te procurar. mas para te encontrar – e agora. peço-te. que onde estiveres. não nos largues a mão. continuamos a precisar de ti – todos


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