.................................................................................não tirem o vento às gaivotas

13/11/2010

o tempo que o tempo tem








o dia gemeu

em agonia

o relógio perdeu-se

no tempo

e até o gigante big ben

o dos ponteiros colossais

sucumbiu

só os segundos

devoram o tempo

ainda

 

00.01    pm

00.02     pm

o escritor

construtor de ilusões

diz:

hoje sempre será ontem

 

palavras

emoções

lágrimas

crenças

rostos

vozes

fotos

conflitos

ambições

loucuras

ilusões

amores

percalços

desejos

rendições

tudo

sempre tudo

tudo que o relógio

conta

 

de ontem

chega o tudo

antes  que o tempo

revele

nos ponteiros

a cadência da vida


pensar é exorcizar

o saber presente

é compreender

sou de ontem

 

do papel:

o aroma da floresta

do tinteiro:

o alquimista perdido

de ontem

o sol nascente

das mãos

a solução

ainda ontem

eram

pés com barbatanas

onde o tempo faz vida

 

hoje

é leitura

subtileza tecida no tempo

em falta

mas

no vosso relógio

serei sempre

imaginação

 

ou talvez

apenas um momento

passado

 

00.17pm

 

o relógio

faz tic-tac

 

no instante passado

e o não silêncio

do tic-tac

bate com a certeza

de ser o presente


serei sempre

o eco incessante 

deste bater 



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