por acaso sabes porque é que o beijo
caiu? claro que não sabes. só olha para o céu. para árvores onde nascem as
gaivotas. para estrelas que namoram com cometas de cauda gelada. para os olhos que
pintam tela imaculada. para o sol. para aquele que nasce das palavras perfumadas.
talvez num campo de malmequeres. ou numa braçada de rosas no regaço de um
futuro que se adivinha – escrever é criar perfume – destilar o aroma das tuas
palavras. tu sabes escolher a primavera mais solarenga. mais quente. aquela onde
basta um casaquinho de lã pendurado no braço para enfrentar os ventinhos
frescos da noite – no caminhar sobressaltado. pé ante pé. os olhos fixos no
céu. na agitação das palavras. enlaças os beijos embrulhados em perfume: é a
vida. deixaste cair um? os beijos não flutuam como balões. esse tombou a teus
pés – debruço-me no chão. procuro o beijo que te escapou – sei que está por aqui.
sinto-lhe o perfume – sei que preciso de reinventá-lo
.................................................................................não tirem o vento às gaivotas
26/06/2015
o beijo que caiu
foto: sampaio rego
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