conheci um escriba que comprou uma metáfora para a transformar numa hipérbole. tão pequenina. tão microscópica. que um dia. enquanto escrevia. percebeu que todas as folhas estavam em branco – sentado. olhou para si e pensou: sou a minha própria figura de estilo – levantou-se. dirigiu-se à casa de banho. lavou a boca com dentine. olhou para o espelho. passou os dedos pelo cabelo espesso. e sorriu para a imagem que o reflexo da sua vaidade lhe oferecia. abanou as ideias com um movimento brusco da moldura do seu orgulho polido. e largou um sorriso maior tão grandioso quanto a entrada triunfal do arco da porta nova de braga – por fim. arrotou uma hipálage que há muito se enroscara no escroto – soltou uma gargalhada e. como num ponto final hiperbólico. partiu feliz em busca da próxima metáfora
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