e agora
como
resolvo estar vivo se é na morte das palavras que encontramos as mãos com que
escrevemos
como
faço para estar vivo se é na tristeza da
perda que as minhas gaivotas voam
diz-me
diz-me
se
morrer é esta coisa de dizer coisas sem sentido
se
morrer é abraçar as tuas palavras como se fossem tiradas de dentro de mim
se
morrer é gritar pelas cores que enxergo no que escreves
e
eu cada vez mais negro
-
encosto-me
encosto-me
numa marquesa que já foi rainha
e
escrevo
nunca
fui nada
penso.
quero
pensar nesta garganta que já não faz barulho
e
o vazio é enorme
vai
daqui até dentro do meu dedo indicador
-
onde
está a aguardente
quero
queimar a voz
as
palavras têm que nascer roucas
como
o coração
rouco
de gritar por socorro
e
eu só
morto
sem saber
só
tu aí me ouves
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