.................................................................................não tirem o vento às gaivotas

22/03/2018

palavra do poeta



o poeta - roger-de-la-fresnaye



tenho dias que sem saber escrever

encontro um sonho para contar

dias em que nada sou sem a utopia

daqueles que me impelem a escrever

são os mestres. os poetas

donos da proficiência de domar letras

e interrogo-me

como seria se apenas eu escrevesse?

seriam letras sozinhas. chorosas

moribundas do desgosto

despidas de emoção

da pureza das ideias

letras privadas do contraste das cores -

e o amarelo. seria verde?

não sei. sei que

o florir dos campos

seria searas

ceifadas em campos vazios de saber

onde os pássaros voariam

apenas baixinho

e o poeta?

poderá ele morrer

sozinho entre palavras que nunca atracaram?

palavras azedas. onde o pólen

nunca voará

palavra que é palavra

veste-se para ser ouvida

acarinhada. açoitada

maltratada. amada

riscada. desenhada

ou apenas um aceno

no coração de quem precisa

palavra honrada será sempre de todos

desde que traga com ela

o orgulho de camões

a nós. contadores de histórias

compete-nos somente

mantê-las virtuosas e belas




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