.................................................................................não tirem o vento às gaivotas

04/08/2011

bem te quero - vânia




edward hopper


não sejas assim. tu sabes que tenho o meu tempo. não sou como tu. sei que escreves em ebulição – as palavras nas tuas mãos não queimam. não ardem. não dizem que a pressa é inimiga do bom – eu. amiga. fico sem saber escrever quando me questionas. bem quero. bem procuro o verbo mais sincero. o substantivo menos comum. tu não és uma mulher comum. e as palavras são sempre desajustadas quando quero vestir-te com uma frase particular. uma metáfora que faça desaparecer para sempre as hipérboles que vivem junto aos teus cabelos - não vou deixar de escrever. não vou deixar de dizer que preciso saber se gostas desta forma louca como digo as coisas. assim como quem não diz nada. e quer dizer tudo - há um horizonte que separa o mar da nossa escrita. há um ir e voltar de palavras. e o futuro tão perto. e tão longe. e a vida sempre a acontecer – há um abraço feito de palavras. feito de um tempo que ainda não entendemos. porque nada pode matar uma palavra bonita

3 comentários:

  1. Vou embrulhar na minha alma esse poema (meu)teu e nunca mais desvestirei... Deixo aqui o corpo, já não preciso. bjs e obrigada

    Vania

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  2. Há um momento na vida do poeta onde a palavra deixa de ser em si a matéria prima. A matéria prima passa ser o significado mais profundo daquilo que queremos traduzir. Lá, dentro da palavra, o poeta encontra o ser.
    Parabéns Sampaio!

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  3. peço imensa desculpa. mas só passados 14 anos é que me apercebi que tinha comentado o meu texto - nunca é muito tempo para se dizer obrigado - abraço

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