edward hopper
não
sejas assim. tu sabes
que tenho o meu tempo. não sou como tu. sei que escreves em ebulição – as
palavras nas tuas mãos não queimam. não ardem. não dizem que a pressa é inimiga
do bom – eu. amiga. fico sem saber escrever quando me questionas. bem quero.
bem procuro o verbo mais sincero. o substantivo menos comum. tu não és uma
mulher comum. e as palavras são sempre desajustadas quando quero vestir-te com
uma frase particular. uma metáfora que faça desaparecer para sempre as
hipérboles que vivem junto aos teus cabelos - não vou deixar de escrever. não
vou deixar de dizer que preciso saber se gostas desta forma louca como digo as coisas.
assim como quem não diz nada. e quer dizer tudo - há um horizonte que separa o
mar da nossa escrita. há um ir e voltar de palavras. e o futuro tão perto. e
tão longe. e a vida sempre a acontecer – há um abraço feito de palavras. feito
de um tempo que ainda não entendemos. porque nada pode matar uma palavra bonita
Vou embrulhar na minha alma esse poema (meu)teu e nunca mais desvestirei... Deixo aqui o corpo, já não preciso. bjs e obrigada
ResponderEliminarVania
Há um momento na vida do poeta onde a palavra deixa de ser em si a matéria prima. A matéria prima passa ser o significado mais profundo daquilo que queremos traduzir. Lá, dentro da palavra, o poeta encontra o ser.
ResponderEliminarParabéns Sampaio!
peço imensa desculpa. mas só passados 14 anos é que me apercebi que tinha comentado o meu texto - nunca é muito tempo para se dizer obrigado - abraço
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