.................................................................................não tirem o vento às gaivotas

22/03/2017

lobo antunes em braga – livraria centésima página - I.II e III



foto google

I.

na hora da conclusão do trabalho nunca pode faltar martelo e prego – o mestre afasta-se da obra. fecha um olho. inclina a cabeça para um lado. mira. repete o gesto para o lado oposto. mira de novo. arregala os olhos. finca os pés. aponta o prego. ajusta os dedos em pressão. atira o braço para trás. ganha balanço e espaço e… zás. duas marteladas certeiras e a consciência em paz: venha daí um terramoto que daqui nada abala – sou livro. agora e para sempre – acredito que o antónio lobo antunes. nos retoques finais dos seus livros. também sinta necessidade de pregar sempre mais um prego – se o antónio fosse engraxador. daria aquele remate final de lustro: aquele movimento de arvorar o pano tingido de graxa. ora vai para um lado. ora vai para o outro. ora mais depressa. ora mais devagar. para aniquilar o bacilo anti brilho. e agora. um movimento circular. e o pano a enrodilhar-se num círculo cada vez mais estreito. tudo de volta ao começo. as mãos a puxá-lo para um lado e para o outro. nos intervalos deste vai e vem.  um lance de génio: o pano sobe em diagonal. como se fosse uma montanha-russa e de seguida uma queda abrupta. em força. e o barulho do pano a estalar no couro. trás. trás. trás – nos olhos. um prazer que nunca percebi de onde vinha. se do movimento enérgico do braço ou do barulho do pano a estatelar-se no brilho do sapato – o que seria do brilho do sapato sem aquele estalar do couro – e no final. quando os pés se aproximavam do chão. os olhos afundavam-se nos sapatos. lindos. como se voltassem a ser novos. quase jurava que me via no seu reflexo – mas o antónio diz que é um carpinteiro e. sendo assim. só pode mesmo cravar uns pregos para garantir que a sua obra ficará para a eternidade – no caso do sr. antónio. que é um escritor enorme. do tamanho de uma biblioteca. creio que lhe baste um pequeníssimo prego. uma taxinha finíssima. quase invisível. para garantir. mais uma vez. que a sua obra perdurará para sempre – este homem é especial. ele não escreve. ele entrega-nos as palavras ao ouvido. como se falasse apenas para nós – o eco das palavras a percorrer o ouvido. com uma delicadeza fascinante. e o corpo arrepiado com tanta amabilidade. mel. graciosidade e por dentro uma sensação de conforto. de aconchego. a fazer bem. a dar luz a umas quantas incoerências – e repete. e repete. e repete. e o ouvido sempre à procura de mais delicadeza. de mais conforto. de mais tranquilidade. com uma  atenção que desconhecia para as palavras escritas. e a repetição no ouvido sem parar. a embalar o corpo para uma paz que me aperta com carinho – para cada um dos seus textos um milhão de perguntas por lhe fazer: como se lembrou de escrever essa coisa? o sr. antónio diz que foi por dinheiro. a pedido de um jornal. e que até nem lhe tinha grande amor – bendito jornal – eu amo as suas crónicas. fazem-me bem. distraem-me. fico assim um pouco como a sua tia velhota que. quando lhe perguntavam porque não tinha TV. lhe respondia: quando fecho os olhos vejo tanta coisa – poi eu estou igual. quando fecho o seu livro de crónicas. também passo a ver tanta coisa – mas quando caio em mim novamente. sou invadido por uma realidade danada – levo um soco no ego. caio para o lado. atordoado. e à cabeça. o raio de uma pergunta: não sei como ainda tenho coragem de escrever

 


II.

dezembro de 2012 – chove copiosamente na minha cidade. braga. mais propriamente na sua sala de visitas. avenida central – estou agora na livraria centésima página. e tenho a honra de vos anunciar. que o antónio lobo antunes é muito mais bonito ao vivo do que nas contracapas dos seus livros – entrou na livraria como um pistoleiro no saloon. passo firme. acelerado. ritmado. sem desviar os olhos do infindável destino: uma cadeira e uma mesa modesta decorada com uma garrafa de água – visita a minha cidade para uma sessão de autógrafos a propósito do seu novo romance: “não é meia-noite quem quer” – o silêncio foi-se arrumando pela sala ao ritmo das cadeiras que se ocupavam – os seus admiradores miravam-no de soslaio. como se receassem encarar de frente o seu ídolo. talvez temessem que. a qualquer momento. ele perguntasse: -- está a olhar para onde. amigo? toca a andar. desocupe-me o espaço – sempre foi público o seu mau feitio. coisa de nascença. sorrisos. só quando estritamente necessário. já nessa altura a sua mãe reclamava: -- só tens interesse pelas raparigas e pela escrita. ao que respondia: -- existe algo mais importante? por isso não é de estranhar o seu afastamento seletivo do resto do mundo. nunca foi muito dado a intimidades com os leitores. e a fama de aterrorizar entrevistadores não ajudava – sentado. inquieto. ajeitou o corpo. fletiu as pernas. lançou o olhar para o nada e ausentou-se do mundo à sua volta. assim como quem diz: usem o meu corpo. mas não abusem da minha paciência – estou convencido de que. para lobo antunes. a sala naquele momento estava vazia. presentes. apenas ele e os livros interrompidos nas prateleiras – e ali ficou sentado. a remoer os ossos. de um lado para outro. como se tivesse bichos carpinteiros. enquanto as mãos trabalhadas descansavam sobre a mesa. sabiam que. a qualquer instante. teriam de dar início a mais uma palestra – o sr. antónio fala muito com as mãos – o momento era particular para mim. pela primeira vez tinha o autor em carne e osso diante de mim. nos livros já o sentira por perto muitas vezes. agora era diferente. agora podia senti-lo num único aroma – o momento não era fácil para mim. sentia-me nervoso. agitado. impaciente por ver o tempo passar sem que se desse início à cerimónia – não havia alternativa. tinha que aguentar firme. afinal. era um dia único. um dia  especial para os seus admiradores. até os livros interrompidos nas prateleiras me pareciam engalanados de atenções. bonitos. com as capas a reluzir. tudo edições raras e de autores consagrados. em destaque a nossa maior obra poética. os lusíadas. ao seu lado a sophia de mello breyner andresen. como era bonita esta mulher. só a sua escrita supera os seus encantos. e logo de seguida o meu adorado júlio dinis. quantas vezes chorei nos seus livros. marcou-me a vida para sempre. ao seu lado o eça. sempre empoleirado no crime do padre amaro. que loucura de história. o júlio não podia ter melhor companhia. seguem-se os poemas do eugénio. de uma sensibilidade ímpar. como se pode dizer tanto com tão poucas palavras. e mais o camilo com aquele bigode inconfundível. e o saramago empoleirado no nobel. meu deus que loucura. que honra. olha! mais um que um dia vai dar que falar. o josé luís peixoto. gosto deste homem. já brilha. e tantos. tantos outros. aos magotes – dos estrangeiros não falo. afinal estamos na pátria de camões e não é todos os dias que uma pequena livraria recebe em sua casa um galardoado com o “nobel latino” – o cenário era nobre. gracioso. não podia ser melhor. o maior escritor português vivo rodeado de livros por todos os lados – escondi-me na segunda fila tentando passar a ideia de que estava por ali apenas pelo mau tempo. chovia. passava à porta e pensei: “aí está um local agradável para me abrigar da intempérie. voilá” – nunca gostei de estar na primeira fila – certo dia. contaram-me uma história curiosa sobre a entrada em cena dos atores: dizem que quando sobem ao palco tentam perceber que tipo de público está na sua presença. dão dois passos em frente. dobram-se em vénia. e colocam os olhos na primeira fila. conforme levantam o corpo. em movimento lento.  olham para as últimas três ou quatro filas. o que sobra. no meio. é a plateia comum – aqui está o dia perfeito para confirmar a teoria. espero bem que não me tenham enganado e que o sr. antónio me considere parte desse povo. sentei-me na segunda fila – a sessão abriu com a intervenção do responsável pela editora. recheada de amabilidades perfeitamente dispensáveis – mas o protocolo é para cumprir. felizmente. logo perceberam que o melhor era entregar a palavra ao convidado – começou a roçar o corpo na cadeira de um lado para o outro. enquanto as palavras saíam a custo. um gaguejo tranquilo para ali e logo outro para acolá. depois. um silêncio que parecia uma eternidade. e tudo num vagar de assustar. e lá chegava outra palavra. outra ideia. e os fãs a baloiçar na entrega. e mais uma palavra. e mais um silêncio e as dúvidas a crescer na plateia: será que o homem quer mesmo falar para estes tontos? e o emudecimento a ganhar distância. as palavras cada vez mais espaçadas – o silêncio crescia atabalhoadamente. abafado apenas pelo barulho da chuva no exterior. chove a cântaros na minha cidade – só as palavras não chovem – por momentos fiquei convencido de que o autor iria sair como entrou: a galope e aos tiros para o ar. os pistoleiros são assim – mas não me importei. e disse para mim mesmo: se não falar com a boca. fico-lhe com os gestos. com os olhos. com os tiques. com a cor das mãos. da pele. afinal. não é todos os dias que se tem antónio lobo antunes na cidade – mas aos poucos as palavras começaram a cair-lhe da boca. como se descobrissem que estava na hora de tomar a plateia – e eu ali. estarrecido de medo. babado. doido para não perder uma única sílaba. com a cabeça dobrada para a frente. todos queriam ser os primeiros a agarrar as palavras. e os olhos esbugalhados de tanta excitação e por dentro uma sensação de orgasmo. quente. com o coração a bater num tic-tac frenético. um contentamento estranho. louco. maravilhado. e a pergunta: porque não fiquei na primeira fila? e ali estava eu com o meu corpo estátua. completamente paralisado. perdido entre a imortalidade dos deuses e a gratidão eterna por existir aquele momento – só os olhos lhe seguiam as mãos. tudo o resto é paralisia. e não se irritam os deuses – enquanto a chuva amainava. as palavras caíam-lhe da boca em enxurrada. afinal. havia uma razão para o mau tempo na minha cidade – finalmente. tínhamos lobo antunes ali. o corpo atirou-se definitivamente para cima da mesa. estava agora ainda mais perto de mim e eu sem receio de o olhar naqueles olhos translúcidos. livres. bonitos. amenos. feitos de um silêncio-solidão-doce – só quem fala conhece o verdadeiro valor da palavra – os lábios. sem descanso. falavam agora desconcertadamente. contorcendo-se de prazer. numa cadência harmoniosa. com paixão. com gosto. com ternura. com entrega. gratos ao momento – a vida é feita de momentos. alguns ficam guardados para sempre. outros. nunca se fazem palavra – e não se cala. a voz em inflexões subtis alerta: ouçam bem. esta parte é importante. e os afetos. finalmente. ali. ali à minha frente. a tocarem-me por dentro. e pela primeira vez senti um sofrimento que dói. mas não é dor. é um desconforto feliz. uma vontade de chorar por não lhe poder dizer: eu já senti isso. eu já passei por isso. eu já fui assim. eu já quis escrever isso. afinal também é um de nós – e eu. que pensava que era extraterrestre – finalmente. senti um silêncio bom. pacato. sereno. a plateia em ar de graça entregou-se ao autor sem medo – havia uma espécie de bonança. a tempestade perdeu toda a sua força e os sorrisos do autor estavam sem dono. eu guardei um só para mim – este homem é imenso e eu ali de braços cruzados. a olhar para tudo que é dele. com um ar sério-doce. sério-aceitação. sério-bondade. sério-fraternal. amigo. camarada. sério-triste também.  até o casaco estava triste. pingado. amarrotado. talvez da vida. não sei. que mais poderia fazer pingar um casaco tão especial. não creio que lhe faltassem outros casacos. acredito. sim. que todos os casacos. quando lhe caem nos ombros. ficam pingados. possivelmente. pelo peso das palavras que carrega consigo 

[tenho o sentimento de que neste texto ainda falta mais um prego. enorme. capaz de segurar o prosista]

 


III.

lobo antunes diz apenas o que é estritamente necessário. com classe. com ritmo. com as palavras a encaixarem umas nas outras como legos. e tudo com aprumo. com vida. com ruas conhecidas. com “merceariazinhas. lojecas. cabeleireiros pequenos. uma constelação de restaurantezitos. sapateiros. costureiras. capelistas onde não habitam pessoas ricas” – fala do presente. do passado. fala de si como é hoje. e também como foi na juventude. dos dias em que ia para o hóquei no benfica. e os cigarros às escondidas intercalavam-se com poemas rascos [diz ele]. e o leitor enlouquecido por esta escrita generosa – só queria ficar-lhe com o casaco. deve guardar nos bolsos mil e muitas palavras – sou um péssimo prosista. ele é genial – sou um mau contador de histórias. queria ser melhor. muito melhor. queria saber escrever tudo exatamente como sinto  – o sr. antónio. está sempre tão triste. sempre a dizer que é feito de silêncio. e que é necessário encher os livros de sossego. com aquela “fininha melancolia do jorge barbosa”. como se chamasse a nostalgia para dentro da leitura – a tristeza dele ao escrever. é a nossa alegria ao ler – fico ali a sentir os ossos a doer. com as palavras enroladas no corpo. a chamar pelo passado. e os vizinhos dele tão iguais aos meus. as ruas com as mesmas casas. o mesmo abatimento nostálgico. e o cigarro dele a lembrar-me do meu. escondido. aceso no bolso das calças. enquanto o meu pai me dava uma reprimenda por fumar– só não tinha o benfica ao pé de casa. nem ia para o hóquei em patins como o antónio.  mas tinha uns patins que o meu pai me trouxe da itália – nunca fui um grande amante de rodinhas nos pés. iam depressa demais para o meu equilíbrio. e para que serve ter rodinhas nos pés se nenhum dos meus amigos as tinha – jogar à bola nos passeios da rua era a solução. aí sim. todos estávamos ao mesmo nível. as ponteiras dos sapatos esfoladas dos chutos que começavam pela manhã e só acabavam à noitinha. com a minha mãe a prometer-me uma carga de porrada pelos estragos nos sapatos de domingo – depois. aquele ar no sobrolho carregado. o corpo inclinado para a frente. a dar ideia de que. a qualquer momento. se levanta e parte da mesma forma que chegou. com ar de pistoleiro. em silêncio e triste. como as noites que não me deixam encontrar o descanso – a mão estendida a fumegar alcatrão pelas pontas dos dedos. raio de vício sr. antónio. e a outra apegada ao pensamento braceja em todas as direções. e a boca ali parada. nem respirava. como se não soubesse onde escondera as palavras. e eu atrás da mão por todo lado à espera de uma magia – o sr. antónio é mágico – há frases que só ele sabe compor. mas finge que não sabe – primeiro silêncio. depois parece que vai falar. as palavras nos lábios. a saltitar como pipocas. mas não. engole-as novamente – e eu ali a dar conta de tudo. as palavras a regressar ao estômago. e mais uma volta. sente-se na face todo o processo de fabricação. e os olhos a olhar em direção ao nada. não existe nada no chão. e silêncio. mais uma volta na cadeira. para dentro de si. o corpo mais pequeno. as palavras a dar voltas. e eu ali. à espera de ser baleado por uma rajada de palavras. não matam. mas avivam a cor dos olhos. os meus parecem faróis – e o sr. antónio ali. como se a vida fosse unicamente a sua presença. e eu morto de medo – quem é que não tem medo de um homem que escreve com um olho aberto. a tomar conta de quem o escuta. e o outro. meio fechado. a olhar para dentro de si. como se houvesse um túnel para outro mundo. o dos dinossauros – talvez seja mesmo isso. ele é um dinossauro da literatura. todas as palavras são fabricadas sem prazo. são eternas. “einstein na sua teoria defendia que a noção de tempo não podia ser reduzida ao tempo cronometrado. visível nos relógios. e que a ciência exata e o racionalismo não eram as melhores ferramentas para compreender a realidade”. exatamente o que sinto ao ler os seus livros. perco a noção de tempo.  e a minha racionalidade fica comprometida – e mais uma volta à cadeira. e a sala parece pequena com aquele homem imenso. o corpo ocupa tudo o que quero ver. só ele e as suas palavras existem. tudo o resto é vácuo – apetece-me chorar – e mais uma palavra. e mais um livro lido na juventude. eu não li. que vergonha. e outro. e também não li. e o sr. antónio a olhar para a cadeira vazia a meu lado. e eu a pensar: ainda bem que não me sentei ali – que seria de mim se estivesse ali sentado? logo eu que não sei nada de literatura – silêncio. e lá vem os camaradas de guerra. “bonitos que se fartavam”. com aqueles quicos nas cabeças. a valentia. os sorrisos. “os cigarros enrolados”. homens para toda a vida moldados numa áfrica quente. com cheiro a terra queimada. cheiro a vida. como se houvesse uma fogueira onde se queimavam vidas. e a G3 a disparar balas que mataram a juventude para sempre – as balas não sabem os nomes dos camaradas de armas. mas ele sabe. ele lembra-se de todos – o nosso lobo antunes nunca erra. sabe tudo da arte de escrever –  escreve-as seguidinhas. direitinhas. bonitinhas. a dizerem tudo. e tudo como se fosse na minha rua. às vezes. até dentro de mim – confesso que. às vezes. até se me arrepia a pele. fico com a sensação de que nasceu com as palavras viveram dentro dele – não deve ser fácil para as palavras viver dentro de um homem que lhes conhece todos os segredos – as palavras não me têm respeito nenhum. sabem que não as conheço como um verdadeiro escritor. e que nunca serei capaz de as usar como o sr. antónio – sou muito franzininho. cedo percebi que os meus ossos não suportariam o peso das palavras difíceis – as costas não foram talhadas. na mocidade. para grandes cargas. e qualquer sinónimo mais puxado deixa-me esbaforido – já não cresço mais. exceto o cabelo e as unhas – o cabelo comprido não me fica bem. quando cresce mais um bocado. revira-se nas pontas. desequilibra-se. e cai sobre a testa e tapa-me o olho direito – tenho impressão de que este meu olho é o único que conhece as palavras – com o cabelo grande deixo de escrever. talvez descenda de sansão e. ao contrário dele. a minha força dependa de ter o cabelo cortado à escovinha – já das unhas é diferente. não gosto de as ver grandes porque na minha juventude. o lúcio. que por sinal também usava cabelo comprido. nunca cortava a unha do dedo mindinho e. de quando em vez. metia o dedito na orelha. num gesto rápido. circular e certeiro. removia sempre uma palavra difícil – envelhecer é terrível. que o diga o sr. antónio que. com o seu mau feitio. despacha os gerúndios mais rápido do que a padeira de aljubarrota despachava os castelhanos  - foi uma tarde memorável. ouvi-lo é um doce – quando damos conta do tempo. já não chove na minha cidade. e também já não há lobo antunes  

 

 

Sem comentários:

Enviar um comentário