.................................................................................não tirem o vento às gaivotas

07/09/2010

ainda não haviam nascido







sentei-me à beira do mar. onde a terra respira a sua pureza primitiva. e ali permaneci em silêncio. imóvel. como se aquele pedaço do mundo existisse apenas para guardar os segredos que o mar sussurra com as suas marés – nunca percebi este vai e vem da água. nunca sei o que as marés trazem. o que vem para ficar. ou o que vem buscar. sei que este movimento das marés é igual ao fluxo das ideias – chegam sem aviso. invadem a mente. como ondas zangadas. deixando marcas poderosas no pensamento. e logo retornam ao oceano. levando sempre consigo algo de mim – mas o que é do mar sempre será reclamado pelo mar – fico sempre sem saber o que fica em mim para o dia seguinte – no dia seguinte. quando já não há marés a baloiçar no meu olhar. chega-me uma braçada de ideias idiotas – quando a água fria tocou nos meus pés. deixou-me uma medusa venenosa. talvez para me meter medo. ou avisar-me que o mar também guarda os seus perigos – presa em seus tentáculos uma estrela morta. prenha de palavras que nunca foram soletradas – talvez tenha caído do alto de uma constelação e nunca mais encontrou o caminho de volta. ou então não quis voltar a brilhar. e ficou aqui para fazer parte desta terra – cravado no seu coração. o eixo imaginário que segura a terra a uma rotação que não regula coisa nenhuma – pobre estrela – deitei-me. deixei a maré subir. cobriu-me de palavras. quase todas loucas. pareciam sussurrar palavras que apenas eu compreendia. algumas tão novas que ainda não haviam nascido para o mundo. mas era com elas que teria de começar uma nova vida  – como eu desejo que todos me compreendam. e que encontrem em mim o movimento das marés que nunca para de ir e vir. levando pedaços do que sou. e trazendo novos fragmento que que quero muito aprender

 


Sem comentários:

Enviar um comentário