sentei-me à beira do
mar. onde a terra respira a sua pureza primitiva. e ali permaneci em silêncio.
imóvel. como se aquele pedaço do mundo existisse apenas para guardar os segredos
que o mar sussurra com as suas marés – nunca percebi este vai e vem da água.
nunca sei o que as marés trazem. o que vem para ficar. ou o que vem buscar. sei
que este movimento das marés é igual ao fluxo das ideias – chegam sem aviso. invadem
a mente. como ondas zangadas. deixando marcas poderosas no pensamento. e logo
retornam ao oceano. levando sempre consigo algo de mim – mas o que é do mar
sempre será reclamado pelo mar – fico sempre sem saber o que fica em mim para o
dia seguinte – no dia seguinte. quando já não há marés a baloiçar no meu olhar.
chega-me uma braçada de ideias idiotas – quando a água fria tocou nos meus pés.
deixou-me uma medusa venenosa. talvez para me meter medo. ou avisar-me que o
mar também guarda os seus perigos – presa em seus tentáculos uma estrela morta.
prenha de palavras que nunca foram soletradas – talvez tenha caído do alto de
uma constelação e nunca mais encontrou o caminho de volta. ou então não quis
voltar a brilhar. e ficou aqui para fazer parte desta terra – cravado no seu coração.
o eixo imaginário que segura a terra a uma rotação que não regula coisa nenhuma
– pobre estrela – deitei-me. deixei a maré subir. cobriu-me de palavras. quase
todas loucas. pareciam sussurrar palavras que apenas eu compreendia. algumas
tão novas que ainda não haviam nascido para o mundo. mas era com elas que teria
de começar uma nova vida – como eu desejo
que todos me compreendam. e que encontrem em mim o movimento das marés que
nunca para de ir e vir. levando pedaços do que sou. e trazendo novos fragmento
que que quero muito aprender
.................................................................................não tirem o vento às gaivotas
07/09/2010
ainda não haviam nascido
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