não consigo ver o meu
branco. por mais que o tente imaginar – nem o meu tempo. que parecia escapar nas
palavras que te oferecia. desejando que te tornasses meu amigo – mesmo aqueles
malmequeres de pétalas brancas. que tantas vezes comprei para embelezar os
sírios que acendia para alumiar a memória dos que sempre me quiseram bem.
perderam a cor. e as pétalas caíram. sem nunca mais formarem uma flor – tento alcançar-me
sempre que escrevo – mas continuo a acreditar que a cor dos cabelos não combina
com os meus olhos – das minhas mãos. esperava muito mais. mesmo que fossem como
um cometa. fugaz e distante. largando rastros de vapor pela imensidão do céu. podia
sempre dizer: que chatice! este sou eu. apenas uma mistura de tons. que muitas
vezes não formão cor nenhuma. apenas tonalidade mate. sem brilho. sem luz . sem
racionalidade – mas há dias em que sinto tantas coisas ao mesmo tempo. como se
carregasse todas as palavras do mundo. melhor ainda. há dias em que sou tudo. sou
as palavras justas. aquelas que se vestem de arte para partilhar o tempo que
todos os dias consumo – só que o tempo é curto. e tenho cada vez menos tempo para
ser aquilo que quero ser – o tempo escapa-me. e os sonhos que queria alcançar dissolvem-se
na realidade – então. talvez seja hora de me reconciliar com o que realmente sou
.................................................................................não tirem o vento às gaivotas
27/09/2010
torre do tombo: entre malmequeres e cometas
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