.................................................................................não tirem o vento às gaivotas

27/09/2010

torre do tombo: entre malmequeres e cometas






não consigo ver o meu branco. por mais que o tente imaginar – nem o meu tempo. que parecia escapar nas palavras que te oferecia. desejando que te tornasses meu amigo – mesmo aqueles malmequeres de pétalas brancas. que tantas vezes comprei para embelezar os sírios que acendia para alumiar a memória dos que sempre me quiseram bem. perderam a cor. e as pétalas caíram. sem nunca mais formarem uma flor – tento alcançar-me sempre que escrevo – mas continuo a acreditar que a cor dos cabelos não combina com os meus olhos – das minhas mãos. esperava muito mais. mesmo que fossem como um cometa. fugaz e distante. largando rastros de vapor pela imensidão do céu. podia sempre dizer: que chatice! este sou eu. apenas uma mistura de tons. que muitas vezes não formão cor nenhuma. apenas tonalidade mate. sem brilho. sem luz . sem racionalidade – mas há dias em que sinto tantas coisas ao mesmo tempo. como se carregasse todas as palavras do mundo. melhor ainda. há dias em que sou tudo. sou as palavras justas. aquelas que se vestem de arte para partilhar o tempo que todos os dias consumo – só que o tempo é curto. e tenho cada vez menos tempo para ser aquilo que quero ser – o tempo escapa-me. e os sonhos que queria alcançar dissolvem-se na realidade – então. talvez seja hora de me reconciliar com o que realmente sou



Sem comentários:

Enviar um comentário