sessenta velas e outras galáxias
três da manhã e eu às voltas com o mundo – o mundo é mais do
que carrego nesta tristeza que me consome – o mundo é redondo. azul. com mar.
sol e sal e ainda outras galáxias que desconheço – é infinitamente grande para
que alguém como eu o queira ferir com este corpo perdido num solstício de
inverno – aqui estou à procura das palavras. as horas batem dentro de mim e o
sol escondido atrás de uma lâmpada de sessenta velas – estou triste por dentro.
por fora preparo-me para me entregar a quem realmente me merece. carrego o
alforge com o que me sobrou do fim-de-semana e espero que o sol se ponha sobre
mim para que a semana possa acontecer: um par de olhos meigos. uma manada rasa
de gente feliz. um abraço apertadinho. uma conversa por acabar na madrugada. um
copo de cerveja gelada. uma seta perdida lançada por um cupido estúpido. uma
boca parva que nunca se cansa de dizer o que lhe vai na alma e um sorriso capaz
de enganar uma multidão – aqui estou. os olhos alinhados com o destino. à
espera do melhor e do pior. com uma mão a estrangular o que já não aguenta e a
outra a dizer: sampaio ri-te pelo menos mais uma vez. afinal ninguém melhor do
que tu sabe que o mundo é redondo. azul. com mar. sol e sal e ainda outras
galáxias que desconheces – és um ignorante tolo. acorda porque já é quase dia e
os espertalhões nunca dormem – bom dia. boa semana
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