deixem-me ser
um pedaço de algo
de qualquer coisa
de uma coisa que não é nada
talvez de um espaço
vazio e sem formas
aqui. vale o instinto
das coisas que dizemos
para mostrar-vos
que sou uma coisa
no meio das vossas coisas
assim serei. nesta coisa
que deixo aqui para lerem
na esperança
de ser
uma pequena coisa
e que as palavras
se encaixem no vosso olhar
nestas coisas que escrevo
sou esta coisa
de coisa nenhuma
mas hoje
onde o mar leva e traz coisas
apenas as gaivotas
sabem ler
esta coisa de tentar
pôr as palavras a voar
mas há coisas e coisas
e eu tenho uma coisa
que não se escreve
é uma coisa meiga
daquelas coisas
que só damos
aos amigos
os abraços
são a maior coisa que tenho
no meio de tantas palavras
onde sorriem os beijos
e assim. faço desta coisa
um simples abraço
que escrevi como
outra coisa qualquer
uma coisa importante
para a leitura
com um beijo-coisa
que não é qualquer coisa
os abraços
são a maior coisa que tenho
no meio de tantas palavras
onde sorriem os beijos
e assim. faço desta coisa
um simples abraço
que escrevi como
outra qualquer coisa
uma coisa importante
para a leitura
com um beijo-coisa
que não é qualquer coisa
sou assim. mais uma coisa
presa a coisas que sinto
ser coisa é medonho
talvez uma arrogância
de querer ser algo
que não sou
sou esta coisa que sou
nasci com uma dor
que se transformou numa coisa
uma coisa que me mata
por coisas que não compreendo
já não consigo contrariar
as coisas
que. afinal. são minhas coisas
serão as coisas que levarei
para um mundo de coisas eternas
sou
uma coisa
sim.
uma coisa
tão
pequenina
tão
inútil
diante
do tamanho da palavra
COISA
por
isso escrevo coisas
para
aliviar este homem
feito
de coisa nenhuma
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