um dia escrevo uma história num livro. a capa será feita
de pele de um mamute siberiano. o fecho será um dente de marfim de seu parente
africano – as páginas de trapos e fibras vegetais terão castelos. armaduras.
lanças. túneis. portas falsas. esconderijos. armadilhas. terá tudo o que dá
vida a um livro de imagens. até fantasmas. sussurrando que o castelo já foi
habitado – dentro. um hall. com
escadas imponentes que sobem além da imaginação. rodeadas de fotos de pessoas
que um dia foram importantes. subirão até uma torre de tortura a norte. refúgio
de todos os poetas – na porta gravado a fogo. anuncia-se que em tempos ali
viveu uma gaivota sem sorte - no corredor principal. um pedestal em madeira de
sucupira sustenta um pote da china da dinastia de ming – num dos muitos quartos.
um mapa rasgado num pedaço de linho. roubado do sarcófago da rainha do egipto
cleópatra – as palavras riscadas a carvão e furtadas do museu de história
natural de nova york. e uma tocha de um australopiteco sem fogo – enrolo o linho.
que afinal era um pergaminho esculpido em osso de dinossauro. do jurássico.
onde não havia gaivotas. mas havia pterossauros – agora. refém do meu tesouro
imaginário. comprei corsários negros que se escondem numa ilha. onde a sua
história nunca terminará. levando a fonte de vida eterna: as palavras. e quem
bebesse dessa fonte viveria para sempre os outros – os corsários. fartos de saquear
sonhadores. pediram-me em troca uma viagem ao polo norte. nunca viram neve. seus
corpos queimam no sal do mar – desisti. guardei o livro. gravado por fora com
um “X”. deveriam ser tesouros. mas são memórias reviradas do avesso. esperando
que as gaivotas as reinventem
.................................................................................não tirem o vento às gaivotas
04/07/2010
desenhei uma história
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário