.................................................................................não tirem o vento às gaivotas

04/07/2010

desenhei uma história








um dia escrevo uma história num livro. a capa será feita de pele de um mamute siberiano. o fecho será um dente de marfim de seu parente africano – as páginas de trapos e fibras vegetais terão castelos. armaduras. lanças. túneis. portas falsas. esconderijos. armadilhas. terá tudo o que dá vida a um livro de imagens. até fantasmas. sussurrando que o castelo já foi habitado – dentro. um hall. com escadas imponentes que sobem além da imaginação. rodeadas de fotos de pessoas que um dia foram importantes. subirão até uma torre de tortura a norte. refúgio de todos os poetas – na porta gravado a fogo. anuncia-se que em tempos ali viveu uma gaivota sem sorte - no corredor principal. um pedestal em madeira de sucupira sustenta um pote da china da dinastia de ming – num dos muitos quartos. um mapa rasgado num pedaço de linho. roubado do sarcófago da rainha do egipto cleópatra – as palavras riscadas a carvão e furtadas do museu de história natural de nova york. e uma tocha de um australopiteco sem fogo – enrolo o linho. que afinal era um pergaminho esculpido em osso de dinossauro. do jurássico. onde não havia gaivotas. mas havia pterossauros – agora. refém do meu tesouro imaginário. comprei corsários negros que se escondem numa ilha. onde a sua história nunca terminará. levando a fonte de vida eterna: as palavras. e quem bebesse dessa fonte viveria para sempre os outros – os corsários. fartos de saquear sonhadores. pediram-me em troca uma viagem ao polo norte. nunca viram neve. seus corpos queimam no sal do mar – desisti. guardei o livro. gravado por fora com um “X”. deveriam ser tesouros. mas são memórias reviradas do avesso. esperando que as gaivotas as reinventem 



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