não há poetas mais. ou menos. há apenas poetas.
uns escrevem o que veem. outros o que pensam – os poetas desenham. pintam vidas
que mais ninguém vê. com os seus modos e costumes. risos e choros – acendem a fornalha.
criam os moldes. enchem-nos de palavras. misturam as palavras com o fogo. e assim
nascem os livros – um poeta dá-se por inteiro aos outros. despe-se de
preconceitos. e nus passeiam pelo mundo como se vestissem um smoking – um poeta
é uma carpidura sem lágrimas. colhe todas as dores do mundo. e dá-lhe um
sorriso – hoje. apanhei um poeta. estava
mesmo a passar à minha frente. lendo um livro à moda antiga. declamava com curvas
e contracurvas. ora sério. ora ria. ora levantava a mão. ora dava um passo em
frente. mas. em todos os movimentos. trazia consigo a beleza de todas as manhãs
primaveris – olhei-o fixo. sem saber o que fazer com tanta palavra bonita. todas
tão elegantes. requintadas. tão bem adornadas. trouxe-o para o meu mundo e pensei
pregá-lo a uma parede. junto aos quadros onde guardo pessoas vivas – percebi
que não tinha boca. nem braços. nem corpo. nem pés. nada onde pudesse pregar
uma pequena tacha para o segurar na minha vida - fiquei sem saber o que fazer. preguei-o
dentro de mim. e fui escrever com ele: era uma vez. um poeta... – o poeta tem
um lugar reservado no céu. um espaço onde ninguém mais pode entrar
.................................................................................não tirem o vento às gaivotas
17/07/2010
o mercado dos poetas
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