abri uma janela que sempre esteve aberta e fechei uma
porta que sempre esteve fechada – matei uma galinha preta. mas que sempre foi
vermelha – ouvi música forró que afinal sempre foi fado – falei com um canário
que era cão – desenhei um céu azul. mas que sempre foi cinzento – contei asteriscos dentro
de uma saca de feijões – meti um peixe a andar de bicicleta – tornei todas as
mulheres lésbicas às quartas-feiras. necessitava de descansar. então inventei
um touro sem cornos. e no seu lugar. plantei repolhos franceses – cortei um
carvalho que já estava cortado há muitos invernos. era a lenha que me aquecia
em noites de solidão – esta dualidade é inversamente proporcional à minha
sanidade – oculta um pseudoescritor. trazendo à escrita um louco que existe
dentro de um bolso que guardo em mim. tem um lápis feito de passas do algarve.
e o corpo revestido de penas – sei que um dia terei asas. voarei ao lado dos loucos.
todos com asas. todos escrevendo a loucura com palavras – são estas putas que.
de noite. me fazem sonhar: um dia eu também serei capaz de inventar uma
metáfora assassina. nesse dia. mato todos os advérbios de tempo. mandarei uma
corda ao eixo da terra. e com um ponto de apoio erguerei o meu ego até ao topo
de uma pilha de livros. depois. com asas de cera. mergulharei na infinita
sabedoria
.................................................................................não tirem o vento às gaivotas
05/07/2010
infinita sabedoria
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