escrevo com
um punhal ao lado. sinto que a noite me ameaça com uma nebulosa de pensamentos irracionais
– logo hoje que queria o céu transparente - há dias em que me reconheço. outros.
perco-me de mim. é quando subo para cima de uma estrela. e ali fico. a
perguntar-me. atiro ou não contra a terra que me viu nascer – logo hoje. dia de
me perder de mim. tinha prometido que ficaria cego. mergulhar na escuridão. inventar
um baloiço. e balançar entre dois mundos. ora chegava ao meu pai. ora chegava
ao que tenho dele – o meu pai. a minha estrela maior. não cabe dentro dos meus
olhos – logo hoje. meu pai. parece irónico. uma onda molhou-me os pés com água
do meu batismo – logo hoje. que te tinha prometido ver todas as fotos a cores
onde tu estás a sorrir. a tocar-me. a falar-me. a apontar o caminho mais rápido
para as estrelas –cravo o punhal nas memórias. e solto as primeiras dores de arrependimento
– voltar ao passado é viajar em primeira classe – as unhas crescem. rasgam a
pele. os olhos caem. rolam entre luxos desejados. os cabelos perdem força e
fazem uma trança de esperança que verdadeiramente nunca o foi – a carne
despede-se dos ossos e as formas deixam de ter forma. finalmente. a libertação –
mas os necrófagos já esperam. gostam de levar o resto do que me sobrou. que foi
quase nada – hoje. até os sonhos se desfazem. sobra o cinto de pele com a
fivela a ouro martelado. e os sapatos de couro. comprados para um funeral
eterno – hoje. sento-me na minha cadeira de baloiço. deixo a morte acreditar
que morri
.................................................................................não tirem o vento às gaivotas
05/07/2010
logo hoje
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