escrevo com os pés. e tenho um ninho de gaivotas
atrás de uma orelha - falo por gestos para não me ouvir. é deste modo que acabo
por matar o silêncio – sou um desastre – estou a negociar duas mãos em segunda mão.
que conheçam todas as palavras. preciso urgentemente de me escrever. e também de
duas rótulas de titânio. chegou a altura de me sentar para descansar. o tempo
passa tão rápido – ofereci-me como voluntário para ser louco na minha terra.
não aceitaram. dizem que ainda não sou um deles – disse-lhes que quero ser
poeta. e até tenho uma amiga que tem o nome de espanca. eu também tenho. ninguém
sabe. espanco-me todos os dias e cubro-me de sal para me conservar lúcido –
riram-se todos. olharam-me como se eu fosse normal – desesperei. meti a mão
dentro de mim. arranquei o fígado que já não purifica coisa nenhuma. cortei-o
às postas. chamei os leões-marinhos. e atirei-o para o meio da gente sã – foram
todos comidos por uma história que bem podia ser a de qualquer tolo – quando
nasci também fui cortado às postas. atiraram-me à vida e fui até onde cheguei:
a tentar ser poeta – deveria haver uma lei que proibisse espancassem todos os querem
ser poetas – criei eu a lei e uso-a sempre que posso. não me bato quando estou
em frente de estranhos – não precisam de saber dos meus devaneios – também
gosto da lei que diz que todos os loucos são inimputáveis – como eu – tenho
pena é de estar tão só. toda a gente me parece tão anormal
.................................................................................não tirem o vento às gaivotas
17/07/2010
triste porquê?
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