.................................................................................não tirem o vento às gaivotas

17/06/2010

camisas do tempo




luís herberto



camisas de força

camisas de vénus

camisas de luz

camisas de seda

camisas de noite

camisas de corpos

camisas vermelhas

camisas rasgadas

camisas gastas

camisas bordadas

camisas pintadas

camisas transpiradas

camisas envergonhadas

camisas honradas

camisas inchadas

camisas vaidosas

camisas de marca

camisas de mulher

camisas de sangue

camisas tristes

 

as ruas que percorri. de camisa. já não aguentam o peso da minha sombra – arranquei as mangas. com elas. vieram as mãos. leprosas pelo tempo que aprendeu a desgastar o pano de cada camisa – nascem camisas de luto – a estas. enfiei-lhe as mangas pelo colarinho dentro. apertam-me o pescoço – não consigo respirar. mas sei que vivo – despido. quero saber o que é morrer enforcado nas camisas do tempo.



Sem comentários:

Enviar um comentário