.................................................................................não tirem o vento às gaivotas

27/06/2010

quarta-feira









hoje não me apetece escrever estou com uma puta de uma azoina que não aguento nem o barulho das teclas a bater – olho para trás e nada vejo que me possa aliviar o stress. olho para a frente e sinto que o drama do sangue nas pontas dos dedos vai ter o mesmo fim. vou acabar fodido comigo – estou parado em frente a um papel imaginário. existe. porque existe um fio que traz corrente eléctrica. e depois dentro desta caixa imensa. que um americano maluco vendeu ao mundo. há uma quantidade de porras interligadas que em faísca uns com os outros acende esta merda toda – o papel fica luminoso e as palavras nascem com um pensamento que afinal mais não são que mãos raivosas a excomungar o mundo – eu também sou uma puta de uma invenção foleira. não de um punhado de dólares imperialistas. mas de um escudo que deveria ser orgulho mas não é caralho nenhum – tenho aqui uma merda de uns bonecos dentro de mim que acendem com a libertação de uma energia que me deram ao nascer. creio que a corrente não é certa. falta um aparelho para manter a corrente contínua com o resto dos astros – estes bonecos com feitios distintos. muitas vezes pegam-se todos à galhetada uns aos outros – são fodidos! uns pensam que escrevem. outros que sabem ler. outros imaginam-se cientistas de régua e esquadro. dizem que inventam mas não vejo futuro no pensar. outros ainda são uns caralhetes alentejanos que não querem fazer coisa nenhuma – para estes. onde houver um chaparro alumiado por um fusível de 220 volts é onde dormem melhor. apenas fodem a cabeça aos outros – quando estes irmãos de fusíveis se incendeiam. bem. nada segura os bichos dos electrões e protões. comem-se uns aos outros – esta bonecada cheia de energia é mais intensa quando acordo fodido. mando tudo para aquela parte. falo sozinho. a barba são quatro naifadas com dois cortes profundos. e até a merda do shampoo tem um cheiro horrível – o dia vai ser do caralho. e de toalha à cinta seco o corpo com a leitura dos primeiros emails. em suma. discuto com todos e a todos digo que são uma bosta – tudo me corre melhor a partir do momento em que a electricidade se transforma em pimenta no cu dos outros. digo cobras e lagartos e viro o mundo de pés para o ar – os sonetos são uma merda. os poemas cheiram mal de tanto amor pegajento. o mar e as ondas enrolam-se na puta da lua prenha. que nunca conseguiu dar à luz a ponta de um corno – para achincalhar esta merda toda. os textos do luso estão todos fodidos – até o jornal regional que compro pela manhã para saber dos mortos da terra está uma cagada. hoje. não morreu chulo nenhum – faço ginástica com os dedos. parto lápis com as orelhas e apetece-me pelo menos dar uma desancada num filho da puta qualquer que passe à porta do meu computador de suíças cumpridas – começo a sentir-me mais mortiço. mando dois cafés expressos para dentro do embrulho e sinto novamente a ira a tomar conta de mim – sinto todos os nervos em curto-circuito. mas chego à conclusão que sem esta merda desta engrenagem não escrevia coisa nenhuma – começo a ficar triste. as palavras cada vez são menos minhas. é mais uma dor que sempre chega quando a energia não é suficiente forte para alimentar as mãos que teclam – é a merda da quarta-feira. o mar está para lá distante. e até as minhas gaivotas estão para a faina – estas. saem no começo da semana e seguem os barcos para dentro do nada. sabem apenas que têm que comer para poderem vir a terra de quando em vez – também eu. saio pela manhã. o livro dos afazeres tem na primeira pagina em letras grandes: ÉS UMA MERDA. MAS TENS QUE CHEGAR AO FIM-DE-SEMANA PARA VER AS TUAS GAIVOTAS.



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