é sábado. as gaivotas perfilam-se além do meu
horizonte – talvez queiram outro mar. talvez outro universo. talvez já não
acreditem neste mundo sem rumo. talvez estejam cansadas de me ouvir. talvez… –
hoje. só tenho uma pequena janela para atirar a alma ao vento – não é uma
janela alta. pelo contrário. ergue-se do chão que todos os dias me engole para
alimentar os seus vulcões –procuro um vento certo. um sopro que leve esta alma de
navegador para além desta guerra entre homens – nu de tudo. por ser sábado. por
tentar descansar. por não querer vestir palavras que não cabem nas desilusões –
quero muito encontrar-me. nem que seja no meio do mar. suspenso entre ventos e
ciclones. subir até ao topo do céu. ao topo de mim. centrifugar-me. juntar os
pedaços dispersos dos meus eus e. para sempre. acreditar que esta nova fusão de
átomos me devolva o que perdi – a idealidade – perseguida tanto que talvez
agora me pertença – qual fantasma da ópera. qual navegador. ou gaivota. sou um
homem-pássaro. sem pecado. sem remissões – sei que voarei alguns dias e no vento
há de derrubar-me – mas que importa – se forem mil dias ou apenas um. importa que
me encontrei. disse adeus ao que fui. marquei com um X a terra que um dia me cobrirá.
tal como sou. tal como nasci – sei que cedo ou tarde cairei. o tempo nunca joga
a favor de ninguém. mas se fui livre. nem que por um instante. então vivi – tal
como o texto
.................................................................................não tirem o vento às gaivotas
27/06/2010
centrifugação
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