hoje estou sem inspiração. completamente out – liguei
a música. procurei na discoteca do PC um ritmo que me arrancasse desta roda de inércia
– a tristeza está a dar comigo em doido. talvez mais que doido. até as pastas do
meu computador já conhecem este distúrbio de personalidade – bem. adiante. na busca
encontrei rui veloso. estava ali. parado. com ar de quem teve um dia de merda – zangado e sem paciência. amarrei-me
a uma música e saí para a rua – vesti calças e um casaco escuro. agarrei na
carteira castanha e saí sem direção – decidido a perder-me numa trepa cheia de
loucura – deixei para trás os preconceitos e imaginei tudo o que ainda não
tinha conquistado: uma mulher enorme. de corpo pronto a procriar – olhos azuis.
cabelos loiros. mãos finas de manipuladora de corações – um às na cama. selvagem
– parei no teatro chile. passei um pouco de batom para o cieiro. um leve toque
de creme de coco e. mesmo inseguro. parti pelas ruas – andei. andei. mas nada
se passava – cansado. tirei a gravata e devolvi ao rosto a luxúria – foram
muitos anos sem sentir nada – continuei a caminhar. a noite quente atiçava a
humidade guardada entre as dobras da insegurança – sorriu-me uma mulher. com
lívido a senti. mas isso já não importa. toda a humidade quente da loucura
acabou em afrontamentos – afinal. era fácil de resolver. tantos anos. tantas
noites… – entrei na pensão estrela. frequentada por gente que procura acabar
com as fantasias. aluguei um quarto com vista para a rua – inseguro. com
tremores. deixei-me sucumbir aos braços daquela desconhecida
*letra de uma música de rui veloso – saiu para a rua – adaptada a
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