.................................................................................não tirem o vento às gaivotas

17/06/2010

galope no abismo








os cavalos passam por mim a galope. cansados. nos freios. o fardo de uma vida. nos dentes. farpas de raiva. talvez por puxarem o passado – penduradas nas orelhas. correm as conversas da velha. oráculo das certezas: eu bem te avisei. não foi por falta de aviso – afirma como se fosse a tempo da reprimenda – o feno. tombado pelo vento. caia para sul. mas a vida traiçoeira. aconteceu a norte – ainda me gosto. mas estou gasto. cansado. como os cavalos que trago dentro de mim. com as orelhas furadas de tanto escutarem e nunca esquecerem – sou agora existência falhada. mesmo desmiolado pelo cansaço. sei-o – estou sem saber para onde vou? não – talvez tenha envelhecido. e a vida tenha-me deixado dúvidas – por dentro. escorre um fio de sangue – mergulho nele as palavras que escrevo. é na cor do vomitado que a obra do diabo dará sentido ao meu passado – quis invocar satanás. não o fiz. agora estou preso ao passado – sou agora velho por dentro. e velho na vida que me devora. gastei-me por dentro e por fora – mas continuo a pensar que viver e sobreviver à vida valeu a pena – o adeus. por minha vontade. tardará – sintam todos a poeira que levanto. sou como sou. mas também como me reinvento – não desistirei dos meus sonhos. sirvam-se da minha agonia. parida no meu ventre. perdida no tempo – cavalgo para outra dimensão. fujo do que fui. para onde vou. não sei – sou vida expulsa – cavalgo para outra dimensão – já me roubei a vida 




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