os cavalos passam por mim a galope. cansados. nos
freios. o fardo de uma vida. nos dentes. farpas de raiva. talvez por puxarem o
passado – penduradas nas orelhas. correm as conversas da velha. oráculo das
certezas: eu bem te avisei. não foi por falta de aviso – afirma como se fosse a
tempo da reprimenda – o feno. tombado pelo vento. caia para sul. mas a vida traiçoeira.
aconteceu a norte – ainda me gosto. mas estou gasto. cansado. como os cavalos que
trago dentro de mim. com as orelhas furadas de tanto escutarem e nunca
esquecerem – sou agora existência falhada. mesmo desmiolado pelo cansaço. sei-o
– estou sem saber para onde vou? não – talvez tenha envelhecido. e a vida tenha-me
deixado dúvidas – por dentro. escorre um fio de sangue – mergulho nele as
palavras que escrevo. é na cor do vomitado que a obra do diabo dará sentido ao
meu passado – quis invocar satanás. não o fiz. agora estou preso ao passado – sou
agora velho por dentro. e velho na vida que me devora. gastei-me por dentro e
por fora – mas continuo a pensar que viver e sobreviver à vida valeu a pena – o
adeus. por minha vontade. tardará – sintam todos a poeira que levanto. sou como
sou. mas também como me reinvento – não desistirei dos meus sonhos. sirvam-se
da minha agonia. parida no meu ventre. perdida no tempo – cavalgo para outra
dimensão. fujo do que fui. para onde vou. não sei – sou vida expulsa – cavalgo
para outra dimensão – já me roubei a vida
.................................................................................não tirem o vento às gaivotas
17/06/2010
galope no abismo
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