a urna comprada em segunda
mão
escondi-a debaixo da cama
[passa vida pela máquina da
vida]
o bacio guardei-o na
mesinha cabeceira
o abajur quadrado desci-o para
o gavetão
a camisa branca deitei-a na
cómoda
o retrato enterrei-o na
gaveta das meias
as meias empurrei-as para a
gaveta dos lenços
os lenços pendurei-os no
guarda-vestidos
o fato. com naftalina. enrolei-o
na urna
eu?
estou deitado no teto
à espera de cair a qualquer
momento
basta que me retirem a alma
as flores
vejo-as pela janela
podem acender os círios
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