eu tenho o meu mundo. um que invento todos os
dias. sei que por vezes não planto nele humanos. só animais. os que me aceitam como
sou – mas confesso. às vezes gostava de ter outro mundo. um suplente. um que fosse
meu e vosso. mas apenas quando me interessado – desenharia uma porta maior. com
um sistema de alarme contra intrusos. como nos aeroportos. permitindo apenas a entrada
de pessoas de bem – ou então uma porta giratória. quem não visse por bem.
girava e saía pelo mesmo lado por onde entrou – no meu mundo. onde eu existo de
verdade. sei que. sempre que alguém entra. trará mau tempo – estou farto de chuva
– perdido. a vontade não basta para recriar o meu habitat. depois da chuva. sempre
haverá lama. e depois da lama. os vermes cobrir-se-ão de terra seca – lambo as
feridas. tento ser feliz. mas nem assim – terra maldita. aprendeste a reclamar
o que não te posso dar – a sorte não existe. busca-se. trabalha-se. e talvez
assim a limpeza e a verdade renasçam – e eu que vivo na lua? que fizeste por
mim? que sossego me trouxeste? e perdão mereço por ser o que sou? depois deste negrume
que se desprende do olhar. o que me sobrará? não me peças para não dizer que
isto é viver. não é – quero saber se tu. nesta terra que me impingiste. tens ou
não uma razão válida para eu ser assim – se tens coração. dá-me uma razão para
ter nascido assim. já que todos que conheço são diferentes de mim – verei o que
posso esperar de ti. mas confesso: não espero grande coisa
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