é espermatozóide
é embrião
é nado-vivo
é menino
é moço
é senhor
é pai
é avô
é cadáver
é. é isso mesmo. um aborrecimento saber que o tempo se esgota – o que construí para não terminar em vão? diz-me tu. ego de merda. iludiste-me. e agora nem um único travesseiro tens onde possas morrer com os sonhos que um dia imaginaste – não me venhas com ensaios. experiências falhadas. não me digas que isto foi apenas um teatro. um jogo de marionetes. onde eu segurei a corda que encerra a cena. e as pancadas de molière fecharam para sempre a ambição – não. não permitirei que me leves assim. tu prometeste que se eu estudasse. teria o relógio a contar as horas certas. se não dissesse palavrões o céu seria meu. e se me portasse bem. um deus qualquer. montado num cavalo de asas brancas. atiraria ao meu alforge uma lâmpada de aladino. com mais de mil desejos – não posso mais. estou arrasado. mentiste-me. puseste-me num espermatozoide que nunca soube onde queria ir. maluco para ser simpático – esse dia. em que desatei correr. não era amor. era truque. tu. o mágico. e. eu. a ilusão – ainda me lembro de mandares dizer pela catequista que tudo se resolveria com o sinal da cruz e um pai nosso – judas. trocaste-me por trinta moedas e um monte de palavras sem valor. nascidas de um espermatozóide maluco
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