acabei agora mesmo de afugentar a morte. trazia na
boca a lembrança de um rosto que já não me pertence – perguntei-lhe porque
apareceu assim de repente. sem avisar. e com a última fotografia ainda por
revelar – logo hoje. que tinha em pensamento trazer para a vida um fantasma –
mora dentro de uma gaveta. mesmo ao dobrar de uma esquina de sentido
obrigatório. antes era uma rotunda. com canteiros de flores verdes de manhã e
cinza pelo fim do dia – vive sozinho há muito tempo. desde o tempo em que uma
parteira lhe deu uma palmada no rabo – acompanhava-o naquela gaveta bipolar uma
pequena história aos quadradinhos. ajudando-o a passar o tempo sempre que não
lhe apetece assustar alguém – cansado de sentir a sua solidão. atravessei-me à
sua frente e prometi-lhe que um dia talvez lhe fosse fazer companhia – bem sei
que a gaveta é pequena e tem uma história de trampa atravessada no seu fundo. horas
em que do susto faz vida – garanti-lhe uma visita para mais tarde. vou levar
fósforos para incendiar os quadrados dentro daquela história. e os dois. talvez
sejamos capazes de assustar a morte no mundo dos vivos
.................................................................................não tirem o vento às gaivotas
17/06/2010
o fantasma que vive sozinho
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