.................................................................................não tirem o vento às gaivotas

16/06/2010

espermatozóide O+







meti as mãos por dentro de mim – procurei-me – desci pela espinha que se atravessou no espermatozóide poeta – coitado. preso pelo polegar. contorcia-se em versos entrelaçados – queria continuar. mesmo que para isso perdesse o dedo - ainda tinha esperança de fecundar – asno! os ovários que conheço estão em menopausa. não querem saber de poetas. muito menos de poemas. talvez aceitem. com custo. uma ejaculação prosaica – relações esporádicas nunca dão obras-primas – já que falo de prosa. as melhores são as prosas tortas. podem ser uma merda. mas sempre dão para escorregar. tipo water slide. pena que. na maior parte das vezes. acabem na sanita. digo. na merda – assim. talvez perdesse este meu hábito de ser santa isabel. transformar trampa em prosa – um dia. raios me partam. ponho a prosa-trampa no pasquim dos leitores anónimos. talvez os faça vomitar. e de uma vez por todas. afugentá-los de mim – este espermatozoide é louco. e o que cria. mais louco é – dizem que é do sangue. não sei. mas que importa o que venha – deve ser um espermatozoide O+. fodilhão. mas com chumbo no rabo e preso pelo polegar – raio de espinha – a espinha do pargo é que estragou o poeta. tivesse sido um osso de cachalote e a banha libertada dava para acender as catacumbas da mente – com um dicionário e um anzol de ponta de aço. tinha pescado o parvo do pargo. e sem espinha. não tinha apanhado o polegar. e quem sabe. tinha engravidado uma barriga de aluguer e. mais tarde. nascesse um poeta a sério




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