meti as mãos por dentro de mim – procurei-me – desci
pela espinha que se atravessou no espermatozóide poeta – coitado. preso pelo
polegar. contorcia-se em versos entrelaçados – queria continuar. mesmo que para
isso perdesse o dedo - ainda tinha esperança de fecundar – asno! os ovários que
conheço estão em menopausa. não querem saber de poetas. muito menos de poemas. talvez
aceitem. com custo. uma ejaculação prosaica – relações esporádicas nunca dão
obras-primas – já que falo de prosa. as melhores são as prosas tortas. podem
ser uma merda. mas sempre dão para escorregar. tipo water slide. pena que. na
maior parte das vezes. acabem na sanita. digo. na merda – assim. talvez
perdesse este meu hábito de ser santa isabel. transformar trampa em prosa – um
dia. raios me partam. ponho a prosa-trampa no pasquim dos leitores anónimos.
talvez os faça vomitar. e de uma vez por todas. afugentá-los de mim – este
espermatozoide é louco. e o que cria. mais louco é – dizem que é do sangue. não
sei. mas que importa o que venha – deve ser um espermatozoide O+. fodilhão. mas
com chumbo no rabo e preso pelo polegar – raio de espinha – a espinha do pargo
é que estragou o poeta. tivesse sido um osso de cachalote e a banha libertada
dava para acender as catacumbas da mente – com um dicionário e um anzol de
ponta de aço. tinha pescado o parvo do pargo. e sem espinha. não tinha apanhado
o polegar. e quem sabe. tinha engravidado uma barriga de aluguer e. mais tarde.
nascesse um poeta a sério
.................................................................................não tirem o vento às gaivotas
16/06/2010
espermatozóide O+
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